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Data 16 de setembro de 2026

Parceira da Vogue Brasil, Caia Ramalho já assinou algumas de nossas capas e editoriais, e agora alcança voo com o lançamento de seu primeiro livro Talvez o nosso amor morra num sonho, no dia 26 de setembro, na Galeria Vermelho, em São Paulo.
Com foco na fotografia, o fotolivro conta a história da própria Caia, que levou nove anos para concluir esse projeto. Os dois primeiros capítulos nasceram a partir da pesquisa que desenvolveu para a sua monografia na pós-graduação em Fotografia, que concluiu em 2018. Foi nesse momento que começou a se dedicar mais profundamente à pesquisa sobre arquivo familiar. “A escrita e a fotografia foram acontecendo de maneira muito entrelaçada”, conta a artista. O projeto levou em torno de sete anos de pesquisa, escrita e produção de imagens, seguidos de mais cerca de dois anos de edição.
Talvez O Nosso Amor Morra Num Sonho
Divulgação
Caia conta que escrever um livro era um sonho distante, mas começou a tomar forma quando descobriu que seu avô, que nunca conheceu, escrevia poesias usando um pseudônimo. “Essa descoberta me atravessou de uma maneira muito forte, porque de repente encontrei uma pessoa da minha família que também escrevia, que tinha uma vida e uma produção que eu desconhecia completamente. Depois disso, encontrei em um sebo, um de seus poucos livros publicados. Esse livro me ajudou muito a entender o tom da narrativa que eu estava construindo. E mais do que isso, serviu para abrir os meus olhos a respeito do poder que tem um livro e uma publicação impressa. Como isso pode caminhar por gerações com muita força. Hoje, sinto que o livro é também uma maneira de deixar um arquivo meu no mundo, assim como eu encontrei registros das pessoas que vieram antes de mim.”

Ao perguntar o que ela mais gosta em sua mais nova obra, Caia é categórica. “Perceber como as imagens e as histórias vividas por mim e as vividas por meus pais, quando mais novos, convivem criando uma terceira história, que pertence ao livro. Gosto de como os contrastes e os reconhecimentos podem existir juntos, criando um corpo próprio para uma narrativa que fala sobre a descoberta do amor, compreensão de identidades e acolhimento familiar”, diz a fotógrafa.
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A paixão pela fotografia é de família, Caia acompanhava o laboratório fotográfico de seu pai, que começou dentro de casa quando ela tinha menos de dois anos de idade, e depois ganhou um endereço próprio. Entre negativos, folhas de contato e ampliações, a jovem aprendeu desde cedo a entender o valor da fotografia. “Ela esteve na minha vida muito antes de eu entender que poderia se tornar a minha profissão, e foi através da moda que compreendi que a fotografia era um lugar para mim também. Mas acho que a minha paixão veio também da descoberta de que fotografar podia ser mais do que um registro: podia ser uma forma de investigar, imaginar e construir outras possibilidades de existência. Talvez eu tenha herdado o interesse pela imagem, mas fui encontrando, ao longo do tempo, a minha própria maneira de me relacionar com ela.”
Caia Ramalho
Aleph Loureiro
O incentivo da família foi um dos pontos mais importantes para Caia seguir sua carreira. Mesmo estando ligada à profissão de seu pai, ela teve liberdade para descobrir qual seria seu próprio caminho. Para além de sua carreira, a fotógrafa nos contou como seus pais foram importantes durante o seu processo de transição de gênero: “Cresci acreditando que o acolhimento familiar talvez deixasse de existir a partir do momento em que eu me posicionasse sobre a minha identidade. E na minha experiência foi o contrário disso, sinto que a minha transição nos aproximou”. Caia sempre fala com carinho especial sobre seus pais na vida e em Talvez o nosso amor morra num sonho, em que há um capítulo dedicado para as fotos que eles tiravam durante sua infância e até antes de seu nascimento.
É claro que eu não poderia deixar essa entrevista sem perguntar um conselho que a Caia adulta diria para sua infância. “Que difícil!”, ela começa. E então segue: “Acho que diria algo relacionado à coragem. Para que ela continuasse acreditando nos sonhos, mesmo naqueles que tantas vezes pareceram inalcançáveis, e se empenhando para torná-los reais. E diria para nunca deixar de registrar: com fotografia, texto, vídeo, o que fosse. Porque, no fim, foram muitos desses registros que me permitiram reencontrá-la e contar essa história hoje”.

Fonte: Vogue