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16 de setembro de 2026
A Marina da Glória recebe, desta quarta-feira (16.09) até domingo (20.09), mais uma edição da ArtRio, uma das principais feiras de arte da América Latina. Neste ano a mostra ganha um capítulo extra: passa a integrar a programação oficial da primeira Semana de Arte do Rio, no momento em que a produção brasileira segue em destaque nas principais feiras e bienais do mundo.
O evento se divide entre os pavilhões “Terra” e “Mar”, além do já tradicional Jardim das Esculturas ao ar livre. Mas as novidades não param por aí. A programação traz o formato “Solo|Duo”, com projetos focados em até duas artistas por galeria; o “Brasil Contemporâneo”, que joga luz sobre produções de fora do eixo Rio-São Paulo; a mostra de videoarte “Mira”; e o estreante “Onda”, totalmente dedicado a performances. Logo no dia da abertura, o público também conhece os três vencedores do Prêmio FOCO ArtRio, um termômetro importante para jovens talentos da cena nacional.
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Quem está no Panorama
Bússola para colecionadores, o setor “Panorama” reúne galerias com trajetórias consolidadas no mercado moderno e contemporâneo. Pelos pavilhões, dividem espaço nomes fortes como Mendes Wood DM, Nara Roesler, Luisa Strina, Janaina Torres Galeria, Almeida & Dale, Galleria Continua, Anita Schwartz, A Gentil Carioca e Silvia Cintra + Box 4, além de outros 40 expositores nacionais e internacionais. Nesta edição, quatro estandes merecem atenção especial no seu roteiro:
Galeria Frente (Estande C2): Especialista no mercado secundário de arte moderna e contemporânea, a galeria leva 48 obras assinadas por ícones como Candido Portinari, Djanira, Mira Schendel e Cildo Meireles. Vale o olhar atento para a obra Autorretrato como Cristo, de Ismael Nery — pintado pelo artista que faleceu aos 33 anos, antecipando a própria morte na mesma idade de Cristo —, além de um relevo em madeira de Frans Krajcberg e uma composição abstrata sem título de Amadeo Lorenzato, pintor belo-horizontino que virou febre entre os grandes colecionadores.
ProArte Galeria (Estande D3): Com mais de 35 anos de estrada, a casa paulistana promove um diálogo geracional fascinante. O estande coloca as pesquisas de Aldir Mendes de Souza e Sidnei Lizardo (o Lizar) lado a lado com nomes como Roberto Burle Marx, Carybé, Rubem Valentim e Cícero Dias. O ponto de encontro é a paisagem — tema central na pintura de Aldir e nos célebres estudos botânicos e urbanísticos de Burle Marx. Lizar é ativista e pintor falecido em 2023, que transpôs os movimentos da capoeira para telas abstratas, pesquisa que o levou a expor no Bronx Museum of the Arts, em Nova York, nos anos 1990.
“Cópia de Nascida Casca I” (2026), de Tadáskía
Rafael Salim/Fortes D’Aloia & Gabriel
Fortes D’Aloia & Gabriel (Estande B4): Celebrando 25 anos de história, a galeria aterrissa no Rio com uma seleção potente que cruza pintura, escultura, fotografia e colagem. O mix reúne os medalhões do seu elenco e apostas contemporâneas recentes, incluindo Beatriz Milhazes, OSGEMEOS, Ernesto Neto, Leda Catunda, Robert Mapplethorpe, Tadáskía e Erika Verzutti.
“Sur mon pupitre et les arbres”, de Julio Villani.
divulgação/Galeria Raquel Arnaud
Galeria Raquel Arnaud (Estande B2): Referência absoluta em arte geométrica, construtiva e cinética desde 1973, a galeria aposta em encontros potentes. Os holofotes se voltam para as individuais de Waltercio Caldas — que paralelamente ocupa a Casa Roberto Marinho com a elogiada mostra “o (tempo)” — e do alemão Wolfram Ullrich, trazendo produções inéditas. O time se completa com Iole de Freitas e Almandrade, artista baiano que ganha força no mercado internacional após sua recente exposição solo na The Armory Show, em Nova York.
“Tríade série Rebanho”, obra de Vivi Rosa na Janaína Torres Galeria
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Janaina Torres Galeria (Estande B11): Celebrando 10 anos de estrada, a galeria paulistana leva à feira o projeto “É Tempo Ainda”, um desdobramento de sua elogiada mostra coletiva atual. É o endereço certo para conferir de perto o trabalho de Vivi Rosa, um dos nomes mais comentados do ano após figurar na seleta lista de finalistas do prêmio internacional LOEWE FOUNDATION Craft Prize 2026. Ela apresenta a escultura “TRÍADE (série Rebanho)”, moldada em uma massa autoral texturizada que desafia a tridimensionalidade tradicional. No mesmo estande, as peças de Vivi dialogam com as intervenções conceituais de Regina Silveira, com as precisas e célebres miniaturas entalhadas em madeira de Efrain Almeida e com os densos desenhos em nanquim e folha de ouro de Antonio Obá. O espaço exibe ainda a inédita e mística pintura Inexprimível, de Caio Pacela, que investiga as fronteiras entre o corpo e a espiritualidade.
“Onde o amor respira em nós”, obra de Zéh Palito na Galeria Simões de Assis
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Simões de Assis (Estande D4): Outra parada obrigatória no Pavilhão Terra, a galeria aborda a pluralidade dos caminhos da matéria na arte. O grande destaque do estande são as vibrantes telas de Zéh Palito, expoente das narrativas afro-utópicas que investigam a ancestralidade diaspórica de forma solar. Suas cores dividem espaço com a potente produção de Ayrson Heráclito — artista que integra a Bienal de Veneza deste ano — e com obras históricas dos mestres Abraham Palatnik, Carlos Cruz-Diez e Cícero Dias. O highlight internacional fica por conta da americana Mary Weatherford, que tem um trabalho apresentado pela primeira vez em solo carioca através da galeria.
Brasil Contemporâneo
“Assenta”, obra de Alex Rocca (2026) na WG Galeria
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No programa, 12 galerias de fora do circuito tradicional apresentam artistas de 14 estados sob o conceito do “fazer com as mãos”. Vale checar os trabalhos expostos na paulistana WG Galeria, que apresenta obras de Tathyana Santiago e Alex Rocca.O paranaense Rocca vive um ano de projeção internacional intensa em 2026: além da mostra Alquimia contemporânea na própria galeria (com curadoria de Rejane Cintrão), o artista estreou um duo show na OOA Gallery, em Barcelona, e marcou presença na Collect Art Fair, em Londres. Suas obras em fibras, vidro, argila e metal abordam suas raízes na herança da avó e nas culturas banto e iorubá.
Arte monumental no Jardim das Esculturas
“Soft Power”, um inflável monumental de sete metros do artista fluminense Gabriel Massan
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Sob a curadoria de Christiane Laclau, o Jardim das Esculturas espalha criações de 18 artistas pelos jardins do Parque do Flamengo, criando um contraste poético com o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara. Estão lá trabalhos marcantes como Cinco casas, de Raul Mourão (Nara Roesler), e Alliance VII, de Alexandre da Cunha (Luisa Strina). No entanto, a grande atração a céu aberto está um pouco além do jardim: trata-se de Soft Power, um inflável monumental de sete metros do artista fluminense Gabriel Massan, trazido pela galeria Yehudi Hollander-Pappi.
Diálogos na área externa: SOLO|DUO
“A Estrela”, obra de Flavia Ventura na Galeria Nara Roesler
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Anexo ao pavilhão MAR, o programa SOLO|DUO estreia sob a curadoria atenta de Ademar Britto. A proposta aqui é desacelerar o olhar: as galerias apresentam projetos inéditos focados em apenas um ou dois artistas. Na ala dos solos, é possível encontrar mostras de Flavia Ventura (Nara Roesler) e Thales Pomb (Danielian Galeria). Já entre os duos, vale conferir o encontro de Giulia Mangoni e Yan Salamente na Orma, e a dobradinha de Tiago Tebet e Ainda dentro do setor Panorama, vale esticar o passo até o Pavilhão MAR, que abriga projetos refinados de curadoria focada, como os espaços de Luciana Caravello, Sergio Gonçalves, Jackie Shor Projects e Hugo França.na Luciana Brito Galeria.
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