Comportamento
16 de julho de 2026A Lego ergueu no Rockefeller Plaza, em Nova York, a maior taça da Copa do Mundo já construída com peças de montar. A instalação tem 8,47 metros de altura, foi levantada com 1.363.402 peças e abriu, no dia 6 de julho, a Fan Zone que a marca dinamarquesa mantém no coração de Manhattan até 19 de julho, quando o torneio chega à decisão. A entrada é gratuita.
A revelação coube ao brasileiro Cafu, campeão mundial em 1994 e 2002, que encaixou as peças finais do modelo ao lado de torcedores das seleções ainda vivas na competição. O gesto sintetiza a aposta da companhia na Copa do Mundo 2026, construída fora da lista de patrocinadores do torneio.
A Lego não aparece em nenhuma das três faixas de patrocínio do Mundial. A cota mais alta, a dos FIFA Partners, reúne Adidas, Coca-Cola, Visa, Qatar Airways, Lenovo, Hyundai-Kia e Aramco. A faixa seguinte, de patrocinadores da Copa, tem Bank of America, Lay’s, McDonald’s, Hisense e AB InBev.
A terceira, de apoiadores oficiais, inclui Home Depot, American Airlines, Diageo, Airbnb, DoorDash e Verizon. A companhia dinamarquesa entra por outra porta, a de parceira de produto licenciado, mesma categoria da Fanatics. O contrato lhe dá o uso oficial da marca FIFA e o direito de fabricar produtos do torneio, sem a exposição de mídia que as cotas de patrocínio compram.
É essa a régua que explica a instalação. Sem placa de estádio e sem intervalo comercial garantido, a marca precisava de um ativo que o torcedor procurasse por conta própria. A resposta foi construir o objeto de desejo do torneio em escala impossível de ignorar, e plantá-lo numa praça pública de Manhattan.
O modelo saiu da fábrica de produção da Lego em Kladno, na República Tcheca, onde uma equipe de 59 designers, engenheiros, construtores e técnicos trabalhou por oito meses. Foram 7.040 horas de montagem e cerca de 4,2 toneladas de peças, sustentadas por uma estrutura interna de aço de aproximadamente 3,5 toneladas.
Para viajar até Nova York, a taça foi dividida em 16 seções, o que permitiu transporte e instalação rápidos na praça. Segundo a companhia, trata-se da maior construção móvel em peças Lego já feita, um dado que interessa menos pelo recorde e mais pelo que ele viabiliza: uma peça de cenografia capaz de ser desmontada e remontada em outras praças ao longo do torneio.
A taça é o centro de um território maior. A Fan Zone montada no Rockefeller Center reúne estações de construção livre, criação de minifiguras personalizadas e um mural coletivo inspirado na FIFA, erguido peça a peça pelo próprio público. O espaço ainda oferece pontos de foto, brindes e o Champions Garden, área que estende a experiência para além da praça central.
A escolha do formato conversa com o que outras marcas vêm fazendo no torneio, como mostrou o Promoview no levantamento das experiências de marca internacionais da Copa do Mundo 2026 fora dos gramados. A diferença da Lego está na permanência. Enquanto boa parte das ativações circula entre cidades-sede em formato itinerante, a companhia fincou endereço fixo em uma das esquinas mais movimentadas dos Estados Unidos e o manteve durante as duas semanas decisivas.
“A taça da Copa do Mundo é um dos símbolos mais icônicos do esporte, e vê-la recriada nessa escala com peças Lego é algo incrível”, afirmou Cafu na inauguração. “O futebol sempre foi sobre unir as pessoas. Seja jogando na rua, torcendo na arquibancada ou assistindo com a família e os amigos, ele é uma das maiores ferramentas de inclusão social do mundo.”
A instalação não nasceu isolada. Ela fecha uma régua que a Lego vinha construindo desde o começo do ano. Em 1º de março, a marca colocou no varejo global o Lego Editions FIFA World Cup Official Trophy, réplica oficial em escala real do troféu, com 2.842 peças e preço de US$ 199,99. O set traz uma placa com a lista de campeões desde 1974 e um compartimento secreto no globo que revela uma minifigura exclusiva com o logotipo do torneio.
Depois vieram as minifiguras de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Kylian Mbappé e Vini Jr., a primeira vez que os quatro foram reimaginados no formato pela companhia, e o filme Everyone Wants a Piece, que reuniu os jogadores em versão de plástico e alcançou forte engajamento nas redes sociais. O produto premium abriu a temporada, o conteúdo manteve a conversa viva e a instalação física chegou na reta final, quando a audiência do torneio atinge o pico.
Federico Begher, vice-presidente sênior de Produto, Marketing e Desenvolvimento da Lego, associa a operação à parceria da companhia com a FIFA. “Foi incrível ver a taça ganhar vida em peças Lego em todas as escalas, do set do troféu a essa réplica gigante de oito metros de altura em Nova York”, disse o executivo. “Esperamos que a Fan Zone dê aos torcedores um lugar para se conectar, criar e celebrar juntos.”
A ativação nova-iorquina integra um circuito que a marca espalhou por América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, com fan villages, desafios temáticos de futebol, experiências de construção e projetos de cocriação com comunidades locais. É o mesmo movimento que o Promoview vem acompanhando na leitura de que o Brasil não é sede, mas é o maior campo de brand experience da Copa, com marcas construindo presença onde o torcedor está, e não onde a bola rola.
No Brasil, o raciocínio aparece nas experiências de marca brasileiras mais criativas da Copa do Mundo 2026, que trocaram o estádio pela rua, pelo bar e pelo varejo. A Lego levou a mesma lógica ao extremo oposto do espectro de investimento, com uma peça de cenografia de mais de um milhão de blocos parada numa praça pública.
A taça e a Fan Zone da Lego seguem abertas ao público no Rockefeller Plaza, em Nova York, até 19 de julho, data da final da Copa do Mundo 2026. A visitação é gratuita e não exige agendamento.