Comportamento
03 de julho de 2026A quinta edição do São Paulo Coffee Festival transformou a Bienal do Parque Ibirapuera em vitrine de estratégia de marca entre os dias 26 e 28 de junho. Mais do que degustação, o encontro de cafés especiais virou plataforma onde marcas de café, eletroportáteis, bebidas vegetais e até instituições culturais disputaram a atenção de um público estimado em 16 mil visitantes.
Realizado pela Espresso&CO em parceria com a Allegra Group, o festival nasceu em Londres há mais de dez anos e já passou por Amsterdã, Nova York, Paris, Los Angeles e Milão. Em São Paulo, reuniu mais de 150 marcas do segmento cafeeiro e gastronômico, segundo a organização.
“Buscamos ampliar o repertório cultural do café a cada edição e fortalecer as conexões entre produtores, marcas, profissionais e consumidores”, afirma Caio Alonso Fontes, diretor da Espresso&CO.
O festival ocupou o térreo e o primeiro andar do Pavilhão Ciccillo Matarazzo com espaços temáticos assinados por patrocinadores. A seguir, o mapa das principais ativações de marca da edição.
O estande mais completo entre as marcas de café ficou com Nescafé e Nescafé Dolce Gusto, que montaram um espaço imersivo pensado como ponto de encontro para apaixonados pela bebida. A proposta combinou degustações, demonstrações de produto e ativações interativas ao longo dos três dias.
Para engajar o público, a marca instalou uma garra machine personalizada, que sorteava brindes exclusivos, e uma área instagramável dedicada à icônica xícara vermelha de Nescafé. Uma seleção limitada de produtos ficou à venda no espaço, com Nescafé Ice, Nescafé Dolce Gusto Pistache e Nescafé Gold, além de um cupom de 10% de desconto para o site da marca.
O ponto alto da programação foi o painel “Cultivando o futuro: como novas formas de produzir estão transformando o café da sua xícara”, no dia 27 de junho. A conversa reuniu Barbara Velo, gerente de ESG & Coffee Expertise de Nescafé no Brasil, ao lado das produtoras Karina Sato Rahal, da Fazenda Nossa Terra, e Ana Paula Curiacos Urtado, da Fazenda Três Marias.
“Participar de um espaço como o São Paulo Coffee Festival permite aproximar o público de cada etapa da cadeia do café. É uma oportunidade de gerar conexão real com o consumidor e ampliar a consciência sobre tudo o que existe por trás da jornada de sustentabilidade de Nescafé”, disse Barbara.
A leitura de brand experience é direta: a marca usou o estande para conectar consumo cotidiano e pauta de sustentabilidade, o mesmo movimento que vinha explorando em ações como o Iced Coffee Bar montado em Copacabana com a Sorvetes Nestlé.
A belga Biscoff, distribuída no Brasil pela Aurora Fine Brands, apostou no volume para ampliar pontos de contato: foram cerca de 16 mil pacotes individuais de seus biscoitos caramelizados distribuídos ao público nos três dias. O estande somou uma roleta de brindes, com produtos e copos personalizados, à ampla ação de sampling.
A presença dialoga com a origem da marca. O nome Biscoff nasce da combinação das palavras em inglês biscuit e coffee, uma relação com o universo do café que a marca carrega desde o início. A novidade da edição foi a parceria com a Nude, marca brasileira de bebidas vegetais, para a degustação do Iced Biscoff, drink criado especialmente para o evento com pasta Biscoff, gelo, espresso, Nude Barista e crumbs do biscoito.
O festival chegou em um momento de expansão da marca. Em 2025, a Biscoff alcançou € 670 milhões em vendas reportadas e crescimento orgânico de 13%, consolidando-se como um dos principais motores da Lotus Bakeries. No Brasil, o volume de vendas dobrou desde 2023, avanço puxado por colaborações com marcas como Burger King, Ofner e Cabana Burger.
Marca de cafés especiais do Grupo 3 Corações, a Rituais Cafés Especiais levou ao festival um dos lançamentos mais aguardados: a nova edição da linha Florada. A novidade nasce do projeto Florada, iniciativa criada para valorizar o protagonismo feminino na cafeicultura brasileira, que chegou em 2026 à sua nona edição.
O novo microlote Florada Premiada reúne grãos arábica e canéfora de três cafeicultoras vencedoras do concurso “Florada Premiada 2025”, todos com pontuação acima de 90 pontos, marca rara no universo dos cafés especiais. Desde sua criação, em 2018, o projeto já recebeu mais de 7 mil inscrições e comercializou mais de 330 toneladas de microlotes personalizados.
No espaço da Rituais, o público pôde degustar os cafés das produtoras em diferentes métodos de preparo e acompanhar a palestra “Empreendedorismo Feminino no Universo do Café”, conduzida por Patricia Carvalho, líder do Projeto Florada no Grupo 3 Corações.
A marca também ocupou o espaço A Cozinha, onde o chef Felipe Caputo preparou uma Canjica de Torta de Limão harmonizada com o café Florada. A estratégia dá continuidade à presença da marca no evento, que em 2024 já havia levado degustações, workshops e até tatuagens temáticas ao festival.
Pelo segundo ano no festival, a Cafellow levou ao público sua proposta de cafés especiais em sachês compostáveis, feitos a partir da fibra do milho, que preparam a bebida só com água quente em qualquer lugar. A marca foi criada por Paula Veloso, terceira geração de uma família de cafeicultores, com grãos da Vivir Café.
O destaque da participação foi o Fellow Vibrante, café com aroma de guaraná pensado para o consumo gelado, servido com gelo ou como base de drinks. O lançamento pega carona na busca por bebidas mais refrescantes e no movimento de redução do álcool, ampliando as ocasiões de consumo do café.
Como patrocinadora café master da edição, a Café Orfeu assinou A Torrefação, espaço em que os visitantes acompanharam de perto o processo de torra dos grãos. A proposta transformou uma das etapas mais técnicas da cadeia em experiência aberta ao público.
Mais do que degustar, o visitante pôde entender como a torra influencia aromas e sabores na xícara, aproximando o consumidor final do trabalho que antecede o café pronto. O formato reforça a associação da marca ao repertório técnico do festival.
Patrocinadora da edição, a Oster ocupou o espaço A Cozinha, dedicado às conexões entre café e gastronomia. O ambiente recebeu chefs e convidados para demonstrações ao vivo, receitas e harmonizações que colocaram os eletroportáteis da marca em uso diante do público.
Ao levar seus produtos para a bancada em vez do balcão de vendas, a Oster apostou na demonstração como principal ferramenta de brand experience, mostrando função e resultado em tempo real.
Em parceria inédita, a Japan House São Paulo assinou a curadoria do pilar Café & Arte com a instalação O Café como Percurso. A experiência propôs um olhar sensível sobre o universo do café a partir de elementos que traduzem sua história, ritual e cultura.
Inspirada pela estética japonesa e pelo cuidado presente em cada etapa do preparo, a instalação transformou objetos cotidianos, como chaleiras, filtros, xícaras e grãos, em narrativas visuais. A presença conecta a marca cultural ao festival por um ângulo diferente do estande comercial, na mesma lógica de ocupação urbana que a instituição já explorou em ações como a campanha do Daruma pelas ruas de São Paulo.
No espaço Bar & Drinks, a coquetelaria entrou como ponte entre o café e outras categorias. O drink oficial da edição foi o Carajillo, preparado com Licor 43, combinação que reforça a presença crescente do café na coquetelaria contemporânea.
Já a cerveja oficial ficou por conta da Tarantino Cervejaria, que assinou o Beer Bar do evento e criou uma conexão entre o universo cervejeiro e a cultura do café. As duas marcas entraram como presença de categoria mais leve, mas ajudaram a diversificar as ocasiões de consumo dentro do festival.
Somado aos campeonatos, workshops e à etapa brasileira da Tiramisù World Cup, o conjunto de ativações mostra como o São Paulo Coffee Festival deixou de ser apenas encontro de cafeterias para virar arena de experiência de marca. Da xícara vermelha de Nescafé à torra ao vivo da Café Orfeu, cada estande usou o café como fio condutor de uma estratégia de conexão com o consumidor.