categoria Comportamento
Data 16 de julho de 2026

Aos 34 anos, Marcella Tranchesi vive um momento especial à espera de seu primeiro bebê com o empresário Rodrigo Klamt. A influenciadora e fundadora da confeitaria Doce Aquarella anunciou a gestação em junho, cerca de três meses após receber o tão sonhado positivo.
À Vogue, Marcella, hoje com 18 semanas de gestação, revela que recorreu à fertilização in vitro (FIV) — técnica de reprodução assistida em que os óvulos são retirados dos ovários da mulher e fertilizados com espermatozoides em laboratório. Os embriões formados são acompanhados por alguns dias para verificar seu desenvolvimento e, quando saudáveis, são congelados ou transferidos diretamente para o útero, onde a gravidez pode se desenvolver normalmente.
Abaixo, ela narra sua jornada para realizar o sonho de ser mãe.
“Eu sempre tive vontade de construir uma família. E acredito muito que tudo tem a hora certa. Estou com o Rodrigo há 12 anos, nos casamos em 2022, e sempre soubemos que queríamos ter filhos, estávamos muito alinhados.
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Quando começamos a namorar, eu tinha 22 anos e, ele, 26. Fomos morar juntos quando eu tinha 24 e nos casamos aos 30. Como estamos juntos ‘desde sempre’, ainda nos vemos muito jovens. Só que o tempo passa rápido. Você nunca acha que está completamente pronto para ter um filho, mas chega um momento em que sente vontade de viver a próxima etapa.
No segundo semestre de 2024, decidimos começar a tentar engravidar. Tirei o DIU e passamos seis meses tentando naturalmente. Resolvi procurar meu ginecologista para entender melhor o que estava acontecendo. Não era exatamente uma investigação, mas uma forma de saber se estava tudo bem. Foi nessa consulta que descobri que tinha síndrome ovariana metabólica poliendócrina.
Por mais estranho que possa parecer, receber um diagnóstico foi um alívio. Enquanto você tenta engravidar sem entender o que está acontecendo, vive no escuro. Quando descobre o motivo e encontra um tratamento, ganha direcionamento.
Eu sempre usei contraceptivo e nunca tive um ciclo muito regular, mas isso nunca tinha sido um problema ou um sinal de alerta. Depois dos exames, comecei uma medicação para regular a ovulação. Sabendo do meu desejo de ter mais de um filho, meu médico sugeriu que também conversássemos com um especialista em fertilidade para entender quais eram as possibilidades.
O especialista explicou que poderíamos simplesmente esperar mais um pouco, tentar uma medicação mais direcionada ou partir para a fertilização in vitro. A verdade é que a gente demora muito para decidir ter filhos e, quando decide, já quer estar grávida no dia seguinte.
Eu tinha 34 anos, nunca havia congelado óvulos e nunca tinha pensado nesse assunto. Conversando com meu marido, entendemos que, mesmo sendo relativamente jovem e podendo engravidar naturalmente, talvez enfrentássemos mais dificuldade em uma segunda gestação. Quando você tem o privilégio de poder escolher e criar esse ‘colchão de segurança’, existem muitos benefícios. Foi por isso que decidimos seguir por esse caminho.
Marcella Tranchesi
Camila Couto
Em nenhum momento a FIV foi um bicho de sete cabeças. Nunca imaginei que precisaria dela, mas também nunca tive medo dessa possibilidade. Sou uma pessoa muito prática, e meu marido também. Se esse fosse o caminho para realizar nosso sonho, faríamos exatamente isso. ‘Vai ser o que tiver que ser.’
Desde o início, nos sentimos muito bem amparados pelo Dr. Carlos Izo, que havia sido indicado pelo meu ginecologista e por amigas próximas. Isso fez toda a diferença. Mesmo com todos os mistérios da FIV, a gente tinha uma certeza no coração que iria dar certo.
O passo a passo foi cheio de emoções. Ao fazer o primeiro ultrassom para iniciar o estímulo para coleta dos óvulos, descobrimos que eu tinha um cisto. Aí realmente fiquei muito frustrada.
Lella e foto do ultrassom
Divulgação
Acho que essa foi uma das primeiras grandes lições da fertilização: não temos controle de nada. Quando você está tentando engravidar naturalmente, entende que depende da natureza. Quando começa a FIV, imagina que, com os melhores médicos, remédios e exames, agora tudo está sob controle. Mas não está. A gente não tem 100% de controle de absolutamente nada. Você vai lidando com expectativas, frustrações e esperança.
Fiz o tratamento e o cisto regrediu. Em agosto de 2025 fizemos a primeira coleta. Por causa do ovário policístico, eu tinha muitos folículos, mas isso não significa, necessariamente, muitos óvulos viáveis. Conseguimos dois blastocistos para análise e, apesar de feliz pelo resultado, saí da anestesia já pedindo para marcar uma nova coleta.
Meu maior medo durante todo o processo era não conseguir óvulos suficientes. Fizemos uma pausa para o ovário se recuperar e partimos para uma segunda coleta. Ao total, foram três vezes até o final daquele ano.
Você vai ficando frustrada quando não pode mandar para análise tantos quanto você gostaria, mas vieram os resultados das biópsias: todos os embriões enviados eram euploides (que apresenta o número correto de cromossomos). Meu lado positivo era: pelo menos eu tenho 100% de aproveitamento.
O trabalho me ajudou muito durante o processo. Eu estava envolvida em muitos projetos e isso ocupava a minha cabeça. Me salvou do que poderia ter sido uma angústia maior.
Era uma segunda-feira quando fizemos a implantação. Foi um dia muito especial. Eu tinha um almoço importante de trabalho, fiz cabelo, maquiagem, participei normalmente dos meus compromissos e depois segui para a clínica. Me troquei no carro. No dia anterior, tinha ido ao aniversário da minha sobrinha, Serena, filha da minha irmã Luciana. Foi um fim de semana bem agitado e isso me ajudou a me manter ocupada.
A implantação é um momento difícil de explicar. Você olha para tudo o que a medicina é capaz de fazer e fica impressionada. Ao mesmo tempo, sente que dali em diante existe uma parte que não depende mais de você. ‘A gente fez tudo. Agora está na mão de Deus.’
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A fé sempre fez parte da minha vida e também esteve presente durante toda essa jornada. Desde que a gente decidiu ter filho, sempre acendemos vela sabendo que Deus estava nos ouvindo.
Nós optamos por não saber o sexo do embrião. Quisemos deixar alguma coisa surpresa. Qualquer bebê seria uma alegria para nós, eu não tinha preferências.
Depois da implantação, só nos restava esperar. Essa talvez seja a fase mais difícil de todo o processo. Você precisa aguardar nove dias para fazer o exame de sangue e, nesse intervalo, vive um limbo. Tem hora que acha que está grávida, depois acha que não está, depois volta a achar que sim… O médico até disse que, se eu não aguentasse esperar, poderia fazer um teste de farmácia, mas eu não queria criar expectativas antes da hora.
No dia do exame, acordei tentando interpretar qualquer sinal. Fiz a coleta bem cedo e passei o dia inteiro atualizando o aplicativo para ver se o resultado já tinha saído. Meu marido estava tão ansioso quanto eu. Combinamos que quem visse primeiro avisaria o outro.
Rodrigo Klamt e Marcella Tranchesi
Divulgação
No começo da tarde, eu estava dirigindo para uma reunião quando recebi um áudio muito fofo do meu médico. Coloquei para tocar imediatamente: ‘Temos boas notícias. Você está grávida.’ Meu marido percebeu na hora e começou a me filmar. Foi uma mistura de alívio e alegria.
A felicidade também vem acompanhada de novos medos. Na FIV, você aprende muito sobre probabilidades e sabe que ainda existem outras etapas importantes. Era preciso repetir o beta dois dias depois e acompanhar a evolução da gestação.
Os exames seguintes vieram excelentes. Logo depois, fiz uma viagem de trabalho para Madrid e, quando voltei, realizamos o primeiro ultrassom. Ouvir o coração pela primeira vez foi muito emocionante. É uma alegria tão grande, e é uma responsabilidade. Dá medo e paz, é muito doido. Você começa a materializar o bebê, esse sonho, essa família.
A partir dali, felizmente, a gestação seguiu tranquila. Não tive sangramentos, descolamentos ou grandes sustos. Continuei sendo acompanhada pela equipe da fertilização até receber alta para iniciar o pré-natal com o meu obstetra.
Durante todo o processo, compartilhei o que estava vivendo com apenas duas pessoas muito próximas que me deram muito amparo. Tem momentos que você fica muito angustiada e quer falar sobre. Acho que passar sozinha é muito difícil, mas passar com muita gente acompanhando também.
Quando ouvimos o coração do bebê e fizemos o exame morfológico, sentimos que era o momento de contar para as nossas famílias. Pouco depois, compartilhei também nas redes sociais. Fomos recebidos com um carinho imenso. Muitas pessoas acompanham a minha história há anos, desde antes de conhecer o Rodrigo. Dividir essa alegria com elas foi muito especial.
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Em nenhum momento deixei de acreditar que daria certo. Sou otimista, mas também prática. Sempre pensei que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para realizar esse sonho. Nunca fizemos isso com sentimento de cobrança ou frustração. Sempre tivemos a sensação de que esse bebê chegaria quando fosse a hora certa.
Se eu pudesse dizer alguma coisa para mulheres que estão passando pela FIV, seria para não terem medo. Hoje, a fertilização é muito mais comum do que a gente imagina, e eu só percebi isso quando comecei a conversar sobre o assunto. Cada pessoa vive esse processo de um jeito. Você ouve histórias de quem conseguiu dezenas de embriões e se compara, mas a verdade é que basta um.
Olho para trás com uma gratidão enorme pela medicina, pelos profissionais que me acompanharam e pela possibilidade de ter feito esse tratamento. Nunca enxerguei a FIV como um fracasso. Pelo contrário. Foi o caminho que tornou possível viver esse sonho.
Também me lembro de um momento muito simbólico durante a estimulação hormonal. Eu estava em um evento de trabalho e precisei ir ao banheiro aplicar uma das injeções. Poderia ter olhado para aquilo com uma sensação de ‘poxa, olha o que eu tenho que passar’. Mas pensei exatamente o contrário. Olha como a gente é forte!
Eu gostaria de ter pelo menos dois filhos. Acho muito especial ter irmãos, um presente que os pais dão para o filho, se for da vontade deles ter mais de um. Eu gosto de família grande. Se rolar de forma natural vai ser maravilhoso, mas se for preciso, usaremos FIV sem pensar duas vezes. Já avisei meu médico: quando você menos esperar, eu estou de volta!
Eu tive uma mãe muito amorosa e que sempre foi muito próxima da gente. Acho que cada mãe faz o seu melhor. Quero ser uma mãe amorosa. Estou muito animada e curiosa. Me sinto realizada.”

Fonte: Vogue