categoria Comportamento
Data 13 de julho de 2026

O lançamento de Foreign Tongues, o 25º álbum de estúdio dos Rolling Stones, mal chegou ao público, mas Mick Jagger já voltou suas atenções para os próximos projetos. Aos 82 anos, o vocalista revelou que continua em plena atividade criativa e afirmou que já iniciou a composição de novas músicas, levantando a possibilidade de um novo disco da banda em um futuro não tão distante.
Em entrevista à revista NME, concedida no fim de junho, Jagger contou que sua produção musical nunca para e que as novas composições podem acabar integrando um próximo trabalho dos Rolling Stones.
“Sim, pode ser um trio [de discos]. De qualquer forma, eu já comecei a compor músicas. Elas podem ser para outras pessoas. Quando você compõe uma música, às vezes pensa: ‘Essa não é para mim, mas poderia ser para o Chili Peppers’ ou algo assim.”
O cantor explicou que prefere escrever sem se preocupar inicialmente com o destino de cada canção. Segundo ele, algumas ideias combinam perfeitamente com a identidade dos Stones, enquanto outras podem ser destinadas a diferentes artistas.
“Sou muito aberto a isso. Tenho muita coisa, e nem tudo é adequado para os Rolling Stones. Mas isso não deve me impedir de escrever para eles, sabe? Se você tem uma ideia, simplesmente escreva.”
Essa liberdade criativa também esteve presente durante a produção de Foreign Tongues. O novo álbum reúne influências que marcaram a trajetória da banda ao longo de mais de seis décadas, misturando rock, blues, soul, funk e R&B em um trabalho que ainda traz participações especiais de grandes nomes da música internacional.
Entre os convidados estão Robert Smith, vocalista do The Cure, Paul McCartney, Bruno Mars e Chad Smith, baterista do Red Hot Chili Peppers. Sobre a colaboração com McCartney, Jagger revelou que ela surgiu naturalmente durante sessões de gravação que começaram ainda na época de Hackney Diamonds, álbum lançado em 2023.
“Foi muito fácil. Obviamente, conheço o Paul há anos. Ele não é um estranho, mas nunca tocou baixo conosco antes. É uma coisa diferente, sabe?”.
O vocalista também elogiou a rapidez com que o ex-Beatle executou sua participação na faixa “Covered in You”.
“Eu disse para o Andy [Watt]: ‘Ele vai curtir isso? É uma música punk e eu quero um baixo distorcido. Vai ser simples, sem frescura’. E o Paul fez exatamente o que era necessário em uns 10 minutos.”
Bruno Mars também participou do projeto de maneira descontraída. Segundo Jagger, o astro apareceu espontaneamente durante uma sessão em Los Angeles e acabou sendo convidado a colaborar de forma inusitada.
“O Bruno apareceu no estúdio em Los Angeles quando eu estava terminando os vocais — e tocamos algumas faixas para ele. Mas todo mundo tem que trabalhar no nosso estúdio. Então eu disse: ‘Vai pegar uma cerveja ou um biscoito ou o que for e toca um sino de vaca’.”
Apesar do lançamento recente do álbum, Jagger garantiu que os Rolling Stones ainda não pensam em desacelerar. O cantor afirmou que a expectativa é voltar aos palcos em 2027, embora a agenda dependa principalmente da disponibilidade de Keith Richards.
“Espero que não. Acho que não haverá shows este ano, mas espero fazer alguns no ano que vem com os Stones.”
Ao refletir sobre a longevidade do grupo, Jagger destacou que os Rolling Stones nunca quiseram limitar sua identidade musical a apenas um gênero.
“Quando começamos, os Stones eram uma banda de blues. Brian [Jones] era um verdadeiro purista, mas não acho que Keith e eu jamais fomos assim… Nós amávamos o blues, mas sempre gostamos de todos os tipos de música pop.”
Lançado em 10 de julho, Foreign Tongues marca mais um capítulo da trajetória da banda britânica e reforça que, mesmo após mais de 60 anos de carreira, Mick Jagger segue disposto a criar novas músicas e manter vivo o legado dos Rolling Stones.

Fonte: Vogue