Comportamento
12 de julho de 2026
Quem cruzou o lobby do SO/ Paris nos últimos meses encontrou uma casa de papel em tamanho real, habitada por bonecas em escala humana vestidas com os looks da nova coleção de Paolina Russo. Era a segunda vez que a designer ocupava o saguão do hotel, que desde a abertura, em 2022, já recebeu um arquivo de moda vintage com peças de Givenchy, Yves Saint Laurent, Alaïa e Thierry Mugler, montado com a curadora SUMO, uma exposição do Institut Français de la Mode, um conjunto de moda e viagem da Ryvdoll e a apresentação de primavera/verão da J. Simone, de Jude Ferrari.
O uniforme da equipe é de Guillaume Henry, que dirigiu a Carven, a Nina Ricci e, até o início deste ano, a Patou. As peças citam a posição do hotel entre o Sena e o antigo Arsenal: capas de oleado, jeans, suéteres listrados de marinheiro e até tela de malha, ao lado de referências parisienses como blazers ajustados e saias balonê. Henry desenhou também o emblema da casa, bordável, com temas de farol e ondas.
Unifores do hotel são assinados por
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Os interiores são da RDAI, o estúdio fundado por Rena Dumas que desenha as lojas da Hermès no mundo inteiro, hoje dirigido por Denis Montel. É a mesma gramática de precisão aplicada a um prédio improvável: uma torre administrativa de 55, projetada por Albert Laprade para abrigar repartições da prefeitura, reconvertida dentro do Morland Mixité Capitale, o projeto urbano coordenado por David Chipperfield com o estúdio CALQ.
A RDAI partiu do rio e da Île Louviers, a ilha que existia naquele trecho do Sena antes do aterro do século 19, e espalhou círculos concêntricos pelo piso de mármore, pelas luminárias e pelas curvas do saguão. No caminho até o quarto, o hóspede atravessa “Reflections of Love”, percurso digital de Judith Darmont que começa na chegada, continua dentro do elevador e termina na porta.
Lobby do S/O Paris
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Os 162 quartos e suítes ocupam do 8º ao 14º andar e são vendidos por categoria de vista, o que transforma a reserva em uma decisão de janela: de um lado a Bastilha, do outro o Sena com a Torre Eiffel ao fundo. Convém especificar a orientação e perguntar pelo andar. Lá dentro, nada de pôster de Paris: são 113 fotogramas e cinco fotomontagens de Thomas Fougeirol, feitos a partir de caminhadas do artista pela margem do rio, de Sully-Morland ao Trocadéro, sem repetição entre um quarto e outro. As almofadas citam Sonia Delaunay, as poltronas são Fritz Hansen, as cortinas são azul meia-noite. Máquina Nespresso, caixa de som Aerobull e amenities da Compagnie Française de l’Orient et de la Chine completam o quarto.
Suíte do S/O Paris
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O endereço ajuda a entender o público. A entrada fica na rue Agrippa d’Aubigné, num trecho do 4º arrondissement quase sem hotelaria de luxo, a dois minutos a pé do metrô Sully-Morland e a oito da Bastilha. A Île Saint-Louis está do outro lado da ponte de Sully, o Marais começa nas quadras seguintes, e Notre-Dame fica a uns 14 minutos de caminhada. É uma Paris que se resolve a pé, longe da vitrine do 1º e do 8º. Hóspedes têm ainda acesso a piscina e academia no Ô Zenhit, o clube esportivo do complexo La Félicité, vizinho ao hotel.
Bonnie
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E tem o último andar! O 15º e o 16º abrigam o Bonnie, restaurante, bar e boate operados pelo Paris Society, com projeto de Jordane Arrivetz, da agência Notoire, e direção artística noturna de Emmanuel d’Orazio. A decoração puxa para os anos 60 e 70, com veludo, couro e carpete estampado, e convive com “The Seeing City”, instalação permanente de Olafur Eliasson e do Studio Other Spaces que usa espelhos para recompor a paisagem. Do terraço, com teto espelhado refletindo o Sena invertido, veem-se a Torre Eiffel, o Panteão, Notre-Dame e as torres do 13º arrondissement.
Mil folhas do Bonnie
Romain Ricard/Divulgação
Na cozinha, brasserie parisiense com influência nova-iorquina e cardápio puxado para frutos do mar: lombo de bacalhau, linguine com lagosta, tacos de salmão marinado, lobster roll. Nos coquetéis, clássicos, muitos com champanhe. Restaurante e bar recebem não hóspedes, o jantar pede reserva com antecedência nas sextas e nos sábados, e de quarta a sábado, a partir das 23h, o 16º andar vira boate, sem reserva obrigatória.
S/O Paris Spa
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Para o dia seguinte, o spa, também da RDAI, com hammam de mosaicos artesanais, esculturas de Elsa Sahal inspiradas na bailarina Isadora Duncan e painéis de marchetaria em mármore de Alice Guittard. Os tratamentos são da CODAGE Paris, casa fundada em 2010 por Julien e Amandine Azencott, especializada em fórmulas personalizadas. Entre os protocolos estão o Haute Couture, o Morning Booster e o Travel-Detox, este pensado para quem acabou de desembarcar de um voo longo.
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