Comportamento
30 de junho de 2026
Antes das telas, Breno Ferreira defendia o gol. Jogou futebol até os 16 anos, passou por Bahia, Vitória e CRT, e trocou as luvas pela atuação quando entendeu onde estava sua vocação. O esporte volta agora à rotina do ator em Jogada de Risco, série idealizada e estrelada por Cauã Reymond, com direção-geral de Bruno Safadi e estreia em julho no Globoplay. Ambientada nos bastidores do futebol brasileiro, a trama traz Breno como Geraldo, um jogador que esconde a sexualidade para se proteger.
“É um personagem que me ensinou muito. Geraldo é corajoso, é uma pessoa à frente do seu tempo, pela forma como pensa, pelos anseios dele”, diz Breno à Vogue Brasil. A construção pediu pesquisa. “Foi uma preparação muito a fundo sobre esse mundo. No futebol, não temos jogadores em ampla escala que são assumidos. Foi um projeto delicado de pesquisar, mas muito gostoso também.” O ator preparou o personagem ao lado do próprio Cauã, que, segundo ele, “ajudou muito na construção”. O que interessa a Breno é o que o personagem coloca em cena. “Essas pessoas existem. A pressão é tão forte que às vezes elas se deprimem. É muito interessante dar protagonismo a esse tipo de história.”
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Jogada de Risco chega depois do trabalho que o ator aponta como virada na carreira. Em 2025, ele viveu André no remake de Vale Tudo. “Vale Tudo foi um divisor de águas na minha vida, sem sombra de dúvidas. Eu sou ator antes e pós Vale Tudo.” A novela e Beleza Fatal, série da HBO Max em que fez Álec, ampliaram seu alcance. “Os dois projetos me expandiram para outras pessoas conhecerem. Mas, internamente, cada trabalho me deu um pedacinho do Breno que eu sou hoje.”
Breno Ferreira
Divulgação/Hudson Rennan
Antes da virada na Globo, Breno já havia se arriscado em inglês. Foi em El Presidente, série do Prime Video, seu primeiro trabalho no idioma, gravado sob direção de Armando Bó, vencedor do Oscar, em uma caverna em Cabo Polonio, no Uruguai. “Foi a cena mais tensa da minha vida, mas ficou linda”, lembra. A trajetória começou no teatro e passou pelo cinema e pelas séries de streaming antes da TV aberta. Breno resume o que tirou de cada formato. “O teatro é o olho no olho, a televisão é a rapidez, a série é se aprofundar mais na história. Se eu pudesse, faria os três ao mesmo tempo.”
Hoje, com mais trabalhos no currículo, ele diz que escolhe pelos temas que a história carrega. “Projetos que tenham causas importantes, pautas relevantes, isso me move. Porque é pro outro também.” Em Vale Tudo, lembra do romance entre André e Aldeíde (Karine Teles), uma mulher mais velha e amiga de sua mãe, que abriu na trama a discussão sobre etarismo. “Acho responsável a gente escolher projetos que comuniquem com uma gama de pessoas.”
A representatividade aparece quando fala da própria trajetória. “Eu não olho para a tela e vejo a mesma de quando eu tinha 6, 7 anos. Tivemos um progresso que não volta atrás, mas pouco. É um processo muito caro para nós, artistas pretos.” O receio dele é que o avanço não se firme. “A gente sonha para que isso não seja uma fase, para que não seja um momento que daqui a pouco vá embora. A gente luta para que as coisas permaneçam.” Segundo Breno, isso também depende de quem escreve as histórias. “É importante estar sempre analisando quem são as pessoas que estão na frente da tela, mas também quem está por trás, quem está escrevendo essas histórias.”
Ele pensa também no efeito desse trabalho fora da tela. “A responsabilidade é muito grande, porque a gente quer ser essa referência, a gente entende o peso dessa referência. E tem a contrapartida de ver olhos brilhando, pessoas se sentindo representadas e com mais força para enfrentar seus objetivos.” Quando fala de quem veio antes e de quem caminha ao lado dele, cita o irmão mais velho, o ator Dan Ferreira, e Juan Paiva, colega de elenco em Jogada de Risco. “Estamos fazendo pessoas sonharem. A gente está no trilho bom.” Para ele, a TV aberta tem peso nessa conversa. “A gente tem um canhão, que é a TV aberta. Não tem por que não trazer pautas relevantes para discutir. Todo assunto sobre causas é bem-vindo, tanto a causa preta quanto a causa racial, quanto a causa das mulheres, a partir do momento em que há respeito e uma escuta muito ativa.”
Breno Ferreira
Divulgação/Hudson Rennan
Em paralelo, Breno está no ar em Quem Ama Cuida, novela das nove de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com direção artística de Amora Mautner. Ele vive Cléber Godoy, advogado sócio e amigo de Pedro (Chay Suede). “Venho fazendo personagens de pegada mais jovem. Em Vale Tudo, o André era mais solar. No Cléber tem uma coisa de ambição, de vida adulta. A ambição é necessária, mas às vezes numa dosagem que não te favorece. O Cléber anda por essa linha.” Sobre dividir set com Tony Ramos, Antonio Fagundes, Isabel Teixeira e Dan Stulbach, é direto. “É o elenco dos sonhos.”
Quando o assunto é o que vem depois, ele já sabe o que procura. “Quero continuar dando vida a personagens honestos com as próprias vontades, sejam eles de régua moral muito alta ou vilões. Que sejam verdadeiros, que façam as pessoas acreditarem.”
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