Comportamento
24 de junho de 2026Ao convidar um seleto grupo para criar seus próprios perfumes, a Becquer Fragrances Lab mostra como o acesso ao processo pode fortalecer a conexão com a marca
Durante muito tempo, as marcas de fragrâncias construíram seu valor a partir do mistério. O perfumista era uma figura quase invisível, os ingredientes permaneciam secretos e o consumidor recebia apenas o resultado final. Nos últimos anos, porém, algumas marcas independentes passaram a inverter essa lógica. Em vez de esconder o processo criativo, transformam essa alquimia em experiência.
Foi exatamente isso que a Becquer Fragrances Lab fez ao promover o workshop “Perfumista por um Dia”, realizado em parceria com a Galeria 18, em São Paulo. O encontro marcou o início da colaboração que passa a assinar a identidade olfativa das exposições da galeria e reuniu grupos reduzidos de participantes para uma imersão no universo da perfumaria autoral.
A experiência começava com uma introdução conduzida pela especialista em perfumaria Helen Augusto. Antes de qualquer exercício prático, ela contextualizava o surgimento da perfumaria de nicho, um movimento que ganhou força nos anos 1990 como contraponto à padronização da indústria de massa. Enquanto os grandes lançamentos buscavam agradar milhões de pessoas, as casas independentes passaram a explorar narrativas mais autorais, combinações inesperadas e uma relação mais íntima com seus consumidores.
A partir daí, os participantes deixavam de ser espectadores. Em frente a cada pessoa, uma bancada organizada com dez pequenos frascos equipados com conta-gotas. Diferentemente dos testes convencionais encontrados em lojas, ali não havia versões diluídas. Eram acordes em óleo, mais densos e concentrados, permitindo uma percepção mais fiel das matérias-primas.
Uma folha impressa apresentava a estrutura da pirâmide olfativa e indicava a posição de cada acorde dentro da composição. O exercício parecia simples, mas rapidamente revelava a complexidade da perfumaria. Algumas combinações que funcionavam perfeitamente isoladas desapareciam quando misturadas. Outras, inicialmente discretas, ganhavam protagonismo ao encontrar determinados acordes.
Talvez o aspecto mais interessante da experiência fosse justamente essa descoberta. O perfume deixa de ser um produto acabado e passa a ser entendido como uma construção. Uma sequência de escolhas, testes, erros e ajustes. Foi uma experiência divertida e dinâmica. Os participantes comparavam combinações, trocavam percepções e descobriam como pequenas alterações podiam transformar completamente o resultado final. O mais legal era que tinha um componente lúdico por trás de tudo aquilo, como voltar para as aulas de química da escola e brincar de alquimista.
A fórmula final era envasada em um frasco roll-on e recebia uma etiqueta personalizada, seguindo a identidade visual característica da Becquer. E cada participante saiu com seu perfume único e uma lembrança física de todo o processo vivido.
Do ponto de vista de branding, a Becquer compartilhou conhecimento, revelou bastidores e convidou o seleto público a participar de algo que normalmente acontece longe dos olhos do consumidor. Quanto mais o cliente entende a complexidade por trás da criação, maior tende a ser sua conexão emocional com a marca.
Foi uma tarde divertida e um momento para aprender sobre como os perfumes são criados – com direito até a um diploma de “Perfumista por um dia”. O produto continua sendo fundamental, mas são as experiências, as conversas e as memórias construídas ao redor dele que ajudam a transformar consumidores em comunidade.