Comportamento
24 de junho de 2026A Copa de 2026 se espalha por Estados Unidos, Canadá e México, e a primeira fase do Brasil coube a três cidades americanas: a estreia em Nova York, o segundo jogo na Filadélfia e o fechamento do grupo em Miami.
Mesmo diante do câmbio, da distância e da burocracia do visto, a torcida respondeu em peso, enchendo as arquibancadas e pintando de verde e amarelo cada estádio por onde a Seleção passou.
A cautela ficou por conta das marcas. A presença delas atrás de quem viajou se mostrou bem mais discreta que a da própria torcida e foi mudando de formato a cada parada da Seleção. Ainda assim, nunca chegou a ocupar o torneio com a intensidade vista nas arquibancadas.
Diante de um Mundial fora do eixo e de um clima que demorou a esquentar, boa parte das marcas brasileiras preferiu o caminho mais seguro: investir pesado nas ações dentro do país, onde está a maior parte do público e o custo logístico é menor.
Lá fora, a ocupação apareceu em pontos isolados, quase sempre ligados a quem tinha fôlego para bancar uma operação internacional. O resultado é um descompasso: a torcida ocupou os estádios em peso, enquanto a maioria das marcas observou de longe.
Já as poucas que entraram nessa disputa fizeram isso com um objetivo bem definido, o de gerar imagem e conteúdo nas vitrines das cidades-sede.
Os preparativos para a estreia, contra o Marrocos, se dividiram entre dois endereços distantes. A torcida se concentrou na Times Square, em Manhattan, enquanto o jogo acontecia no MetLife Stadium, em East Rutherford, do outro lado do rio Hudson, em Nova Jersey.
Foi nesse cruzamento, o mais movimentado de Nova York, que as marcas se fizeram notar, a começar pela Esportes da Sorte, casa de apostas que projetou imagens da torcida nos telões nas noites de 13 e 14 de junho, ao lado do cantor Léo Santana e de um grupo de influenciadores.
A Betnacional, também do setor de apostas, somou-se ao Movimento Verde Amarelo em um bandeiraço que reuniu cerca de 5 mil pessoas. Entre os patrocinadores oficiais, a Hyundai levou ganhadores de promoção para dentro do estádio.
Para o segundo jogo, contra o Haiti, no Lincoln Financial Field, em 19 de junho, a ação de marca girou em torno de uma superstição local.
A estátua do Rocky Balboa, cartão-postal de Filadélfia, virou alvo de um alerta da torcida depois que o Equador vestiu o monumento e perdeu na estreia. A Betnacional transformou o receio em operação: contratou uma equipe de segurança para impedir que a camisa do Brasil fosse colocada na estátua.
A ação ainda incluiu torcedores vestindo o monumento com camisas de Argentina, França e Espanha, em tom de brincadeira. Foi uma aposta em conteúdo e folclore de internet, mais do que em estrutura física para o torcedor.
A fase de grupos se encerra em 24 de junho, contra a Escócia, no Hard Rock Stadium. É em Miami que está a maior operação de cara brasileira fora do país.
A Casa Ronaldo, idealizada por Ronald Nazário, filho de Ronaldo Fenômeno, ocupa um hub de mais de 5.000 m² por 39 dias, com telões, arena gamer, ativações interativas e uma exposição sobre a carreira do ex-jogador, que também celebra ali seus 50 anos. O espaço tem naming e patrocínio master de uma casa de apostas, e funciona menos como arquibancada e mais como fábrica de conteúdo.
Na mesma cidade, a rede de fan fest GINGA montou um endereço para receber quem viajou, repetindo fora do país o formato que o Promoview mapeou no guia das fan fests da Copa.
Se a torcida apareceu, sobrou espaço para quem quisesse resolver problemas reais da jornada. Um deles está na porta de cada estádio: a FIFA exige bolsas totalmente transparentes, de no máximo 30 x 15 x 30 cm, em todas as 16 arenas das três sedes, e os estádios não oferecem guarda-volumes.
A empresária Milena Sakamoto, da Eventesse, que tem acompanhado presencialmente os jogos, observou em suas redes esta chance que as marcas vêm deixando passar: distribuir bolsas transparentes de marca na entrada resolveria uma necessidade concreta de todo torcedor, brasileiro ou não, e garantiria visibilidade a cada revista de segurança.
A solução envolve custo logístico e produção, mas ainda há tempo até as próximas fases. É o tipo de utilidade pública que soma à experiência sem depender de palco ou celebridade.
O mesmo vale para o visto. A brasileira Raphaela Coiado, de 24 anos, ganhou uma viagem com tudo pago em promoção da Coca-Cola Brasil e foi impedida de embarcar após ter o documento negado. “Ganhei viagem com tudo pago para a Copa do Mundo e tive o visto negado”, contou. Apoiar o torcedor nessa burocracia é outra lacuna aberta.
Somadas as paradas, dois pontos se destacam. O primeiro é que a ocupação fora do país priorizou imagem e conteúdo, das projeções na Times Square ao hub em Miami.
O segundo é quem bancou as operações mais barulhentas: boa parte carrega o nome de casas de apostas, setor que avançou sobre o entorno do futebol brasileiro e segue sob fiscalização por uso de imagem e marketing de emboscada. As demais marcas, em sua maioria, preferiram investir exclusivamente de forma nacional.
Conforme o Brasil avança no mata-mata, a disputa tende a se intensificar. As próximas paradas devem trazer novas ações, e o Promoview vai atualizar esta cobertura à medida que a Seleção seguir em campo.