categoria Comportamento
Data 24 de junho de 2026

A passarela mais comentada da semana de moda masculina de Paris não teve passarela. No lugar dela, a Louis Vuitton ergueu uma onda gigante, um tubo artificial em escala real, de onde os modelos saíam como surfistas deixando a água.

O desfile de Primavera/Verão 2027, assinado por Pharrell Williams, aconteceu na noite desta terça-feira (23) e colocou a cultura do surfe no centro da cena.

Horas antes, o próprio diretor criativo já havia entregado a pista. Em seu perfil secundário, dedicado ao skate, Pharrell publicou a imagem da estrutura e prometeu uma praia pela frente.

Uma onda no lugar da passarela

A cenografia foi o primeiro espetáculo da noite. O tubo gigante ocupou o centro do espaço e funcionou como portal: cada saída começava de dentro da onda, num gesto que traduzia ao vivo a sensação de pegar a crista.

O recurso não é decoração. Ele organiza o olhar, dita o ritmo das entradas e entrega, antes de qualquer roupa, a ideia que a marca quer vender naquela temporada. A imagem da onda viajou pelas redes antes mesmo do primeiro look aparecer, o que é, no fim, o objetivo de uma estrutura desse porte.

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Do skate à praia, a referência que move Pharrell

A coleção foi uma homenagem ao surfe e ao skate, descrito pelas notas do desfile como influência formadora e duradoura na trajetória do estilista.

A roupa seguiu o enredo. Apareceram bombers com barras de tricô bordadas em miçangas, jeans e casacos tingidos em índigo no estilo shibori, moletons desbotados como saídos do armário de um surfista e peças remendadas que evocavam roupas de neoprene já gastas pelo uso.

O item que dominou a conversa veio dos pés. O tênis de skate Combi puxou comparação imediata com o clássico Vans Authentic e fez a própria Vans se manifestar nas redes, prova de que a peça furou a bolha do luxo e virou assunto de cultura pop.

Quando o cenário vira estratégia de marca

Pharrell não chegou à Louis Vuitton como estilista de formação, e sim como alguém que move cultura. Cada desfile da marca sob seu comando nasce desenhado para ser fotografado, compartilhado e debatido muito além de quem estava na sala.

A régua se repete temporada após temporada. A maison já levou seus convidados a cenários monumentais e, fora da passarela, transformou um palacete londrino em hotel pop-up, no mesmo movimento em que grifes de luxo investem cada vez mais em arquitetura e experiência para sustentar desejo.

A onda de Paris confirma a lógica. Quando o set vira a primeira imagem que circula, a cenografia deixa de ser pano de fundo e passa a ser a peça central da estratégia, tão comentada quanto as roupas que ela emoldura. É a mesma disputa por atenção que move os desfiles mais provocadores da temporada.

Fonte: Promoview