categoria Comportamento
Data 07 de julho de 2026

Quem visita Paris pela primeira vez no verão costuma imaginar tardes preguiçosas às margens do Sena, piqueniques sob as árvores e cafés ao ar livre. Tudo isso continua existindo, mas há um novo personagem na cidade entre junho e agosto: o calor.
Nos últimos anos, as ondas de calor se tornaram cada vez mais frequentes, e uma cidade construída para invernos rigorosos precisou aprender a conviver com dias que ultrapassam facilmente os 35°C. Poucos apartamentos têm ar-condicionado, o metrô pode se transformar em uma verdadeira estufa e caminhar entre um museu e outro, em determinados horários, pode até deixar de ser um programa prazeroso.

É justamente aí que entra um lado menos conhecido — e muito mais local — de Paris: suas piscinas públicas. Espalhadas por diferentes bairros, elas são muito mais do que um lugar para nadar. Funcionam como pequenos refúgios urbanos, frequentados por famílias, jovens e moradores que trocam o calor das ruas parisienses por um mergulho em meio à cidade.
Piscine Joséphine Baker
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A mais emblemática delas continua sendo a Piscine Joséphine Baker. Ancorada sobre uma barcaça no Sena, no 13º arrondissement, ela oferece uma das experiências mais curiosas da cidade: nadar enquanto se observam os barcos cruzando o rio. Nos dias ensolarados, a cobertura de vidro se abre completamente, e o deck externo vira um dos lugares mais disputados de Paris.
Para quem viaja com crianças, a estrutura também ajuda: há cabine para bebês, áreas familiares e um pequeno espaço infantil, tornando a piscina uma das opções mais completas para famílias. Como era de se esperar, também é uma das mais concorridas da cidade — chegar cedo faz toda a diferença.
Annette K
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Quem procura uma atmosfera mais sofisticada encontra na Annette K uma proposta completamente diferente da tradicional piscina municipal. Também instalada às margens do Sena, ela mistura piscina, restaurante, espreguiçadeiras e um clima de beach club parisiense. É um programa que combina especialmente com casais, grupos de amigos e famílias com filhos maiores que pretendem passar boa parte do dia relaxando sem sair da cidade.
Butte-aux-Cailles
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Para quem prefere lugares com história, poucas piscinas são tão charmosas quanto a Butte-aux-Cailles. Inaugurada nos anos 1920 e tombada como patrimônio histórico, ela mantém uma arquitetura encantadora e um diferencial raro: uma piscina externa aquecida naturalmente durante todo o ano, alimentada por uma nascente descoberta no local no século XIX. Além da piscina ao ar livre, há outra infantil e outra coberta, o que faz dela uma excelente escolha para famílias que viajam com crianças pequenas e querem combinar um passeio pelo bairro, um dos mais agradáveis do 13º arrondissement, com uma pausa refrescante.
Piscine Pontoise
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Quem gosta de arquitetura também vai encontrar na Piscine Pontoise um dos endereços mais bonitos da cidade. Construída em estilo Art Déco, ela preserva praticamente toda a elegância dos anos 1930. Durante o dia, funciona como uma piscina tradicional, mas à noite ganha um clima completamente diferente, com sessões que incluem acesso à sauna e iluminação intimista — um programa perfeito para quem deseja fugir do calor depois que os museus fecham.
Roger Le Gall
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Se a ideia é simplesmente encontrar espaço para brincar com as crianças, estender a toalha e passar algumas horas ao sol, vale olhar para piscinas menos conhecidas pelos turistas. A Roger Le Gall, no 12º arrondissement, lembra um clube de bairro, com áreas gramadas, piscina olímpica e bastante espaço para passar a tarde. A Georges Hermant, no 19º, tem cobertura retrátil, que se abre completamente no verão, enquanto a Piscine d’Auteuil, no elegante 16º arrondissement, costuma atrair muito mais moradores do que visitantes, oferecendo uma experiência mais tranquila mesmo nos dias mais quentes.
Piscine Château-Landon
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Quem está hospedado perto da Gare du Nord encontra uma boa alternativa na Piscine Château-Landon, próxima ao Canal Saint-Martin. Já a Piscine Hébert, no 18º arrondissement, costuma ampliar seus horários durante as épocas mais quentes do ano, e é uma das boas opções para famílias que desejam escapar das multidões.
Para quem pretende explorar além dos limites da cidade, o calor também revela outros destinos pouco conhecidos pelos visitantes. A uma hora do centro, Les Boucles de Seine oferece um enorme lago cercado por areia fina, onde é possível nadar, praticar canoagem, vela e passar um dia inteiro ao ar livre — uma alternativa que faz muitos parisienses esquecerem que estão longe do litoral.
Outra novidade é a área de banho Diderot, em Pantin. Ali, a água é filtrada naturalmente por plantas, o acesso é gratuito e a estrutura fica integrada a um parque cheio de áreas verdes, criando uma atmosfera quase escandinava em pleno verão francês.
Canal Saint-Martin
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Até o Canal Saint-Martin entrou oficialmente na lista de lugares para se refrescar. Em trechos autorizados durante o verão, a qualidade da água é monitorada constantemente, permitindo banhos gratuitos em áreas específicas — uma experiência muito mais local do que turística. Em determinados períodos, jovens com menos de 25 anos e idosos podem conseguir ingressos gratuitos para sessões de cinema organizadas pela prefeitura do 10º arrondissement — uma pausa climatizada entre um passeio e outro.
E existe um último truque, bem parisiense, para os dias em que o calor parece vencer qualquer roteiro. Durante os períodos oficiais de canícula (época de calor extremo), a prefeitura transforma parte da cidade em uma grande rede de refúgios climáticos. Bibliotecas silenciosas, museus com ar refrigerado, centros culturais, salas climatizadas nas prefeituras de bairro e até escolas com pátios adaptados passam a funcionar como pontos de descanso para quem precisa de algumas horas longe do sol. É o tipo de dica que raramente aparece nos guias, mas que faz toda a diferença quando se está viajando com crianças, ou simplesmente quando caminhar mais alguns quarteirões deixa de ser uma boa ideia.
No fim das contas, para enfrentar o verão em Paris, o maior segredo é abandonar a ideia de que a cidade precisa ser vivida apenas caminhando. Os parisienses já entenderam isso há algum tempo. Quando o termômetro dispara, eles fazem o que qualquer morador de uma cidade quente faria: procuram sombra, diminuem o ritmo e seguem em direção à água. Curiosamente, é justamente nesse momento que Paris revela uma versão mais leve, menos turística e muito mais autêntica.
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Fonte: Vogue