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23 de setembro de 2026Conseguir acesso aos bastidores do Vogue World 2026: Milão é tão fácil quanto entrar no Met Gala — ou seja, nada fácil! E garantir um momento a sós com a maquiadora favorita da moda, Dame Pat McGrath, enquanto ela e sua equipe preparam um elenco de mais de 300 modelos, dançarinos, atores, skatistas, músicos e outros artistas? Bem, isso é, por si só, uma verdadeira aula magna de multitarefa.
Ali, Iris Law confere se seu olhar angelical e cintilante está perfeito (todos adoram!); logo ao lado, Vittoria Ceretti está de cara lavada, pronta para a transformação. “Agora sabemos que estamos nas últimas modelos e que tudo está correndo muito bem”, diz McGrath enquanto circula pelas fileiras de bancadas de beleza, algumas horas antes do início do espetáculo.
Dentro do Palazzo Giureconsulti, modelos vestindo roupões pretos da La Perla dedilham seus celulares — exibindo as unhas coloridas criadas pela manicure Eri Narita — enquanto McGrath e sua equipe compõem uma sinfonia de maquiagens para ilustrar os diversos atos do Vogue World: Milão, celebrando a maestria artesanal e a inovação italianas. E quem melhor para essa tarefa do que a própria Dame, responsável por criar, com um toque artesanal, visuais de beleza inovadores para muitas das grifes que estão sendo celebradas, de Versace a Valentino? Mais adiante, no salão histórico, a hairstylist Cyndia Harvey trabalha concentrada, prendendo rabos de cavalo baixos e modelando coques polidos para dar vida à visão artística do evento.
Vogue World: Milão
Sofi Adams
Vogue World: Milão
Sofi Adams
“Parecia que estávamos realmente viajando por todas as eras da criatividade italiana, e cada uma delas tem sua própria linguagem de beleza — começamos pela luminosidade”, diz McGrath sobre a abordagem que explorou a “riqueza dos tecidos” e das texturas no primeiro ato, The Artisanal Revolution (A Revolução Artesanal). Modelos como Mariacarla Boscono e Fei Fei Sun exibem essa beleza de inspiração renascentista, “com bochechas adoráveis, pálpebras lindas e claras, e lábios levemente manchados de cor”, descreve McGrath. “Algo muito romântico, mas simplesmente requintado.”
Para o segundo ato, “A Revolução Industrial”, a moda adotou tons de cinza, e a beleza seguiu o mesmo caminho. “Há muita alfaiataria”, diz McGrath sobre o figurino que Adriana Lima e a atriz Adria Arjona exibirão ao desfilar pela Galleria. “Brincamos com diferentes intensidades dos olhos esfumados”, conta ela, descrevendo visuais que variam de “pretos muito, muito intensos” a olhos com aspecto esfumado e lábios escuros. “Algumas modelos usam os dois, outras apenas o olho marcado e algumas, apenas os lábios em destaque. Fica lindíssimo.” É a liberdade para apostar em uma beleza mais carregada e ousada quando a alfaiataria entra em cena.
Uma mesa à nossa frente é dedicada inteiramente a uma gama completa de cores de partículas brilhantes e pigmentos, dispostos e meticulosamente etiquetados em potinhos; é difícil resistir à vontade de estender a mão e tocá-los. O cinema italiano e La Dolce Vita inspiraram o terceiro ato, representado pelo macacão Versace cravejado de brilhos usado por Imaan Hammam no Vogue World e pelo vestido tomara que caia brilhante da Dolce & Gabbana usado por Jennifer Lopez. “Há muitas estampas fortes e ousadas; o que fizemos foi criar nossa própria abordagem rebelde”, diz McGrath sobre recorrer aos seus arquivos de glitters roxos, rosas, dourados e azul-bebê para criar uma maquiagem nos olhos com blocos de cor “linda, muito, muito forte e bem definida” para os looks mais coloridos. Pergunto mais detalhes sobre a coleção de glitters de arquivo em exposição. “Tenho itens que vão desde o ano 2000 até a década de 90”, revela ela. “Glitters que foram usados em desfiles icônicos — e que estão de volta.”
Vogue World: Milão
Sofi Adams
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Sofi Adams
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Para as “belezas cinematográficas” dos visuais mais monocromáticos, “criamos uma maquiagem linda nos olhos, com uma estrutura sutil feita com delineador; depois, trabalhamos diferentes tons de lábios, variando do bordô ao vermelho e ao nude”. A variedade se torna muito mais surpreendente à medida que o desfile avança para o quarto ato, The Age of Intelligence (A Era da Inteligência), no qual MGK passa pela modelo Victoria Fawole, envolta em seu casaco azul acolchoado da coleção Moncler x Pierpaolo Piccioli e com os lábios combinando. “O foco é um toque vibrante de cor nos lábios: roxos, azuis, azul-marinho, laranja-ácido… uma verdadeira profusão de cores”, diz McGrath, rindo.
Tenho um vislumbre dos bastidores do nosso quinto e último ato, The Imagination Age (A Era da Imaginação), enquanto McGrath instrui um membro de sua equipe a pegar “apenas um pouco de glitter prateado e aplicá-lo na pálpebra da modelo como se fosse uma impressão digital”. “O que criamos foi algo que lembra um olho de boneca, um olhar de outro mundo: cílios brancos, tons de branco e lindos marrons acinzentados ao redor dos olhos, muito brilho e lábios com um efeito de mancha perfeito”, descreve McGrath. “É um outro mundo. Algo onírico.”
E é realmente um mundo de sonho ver tudo isso em movimento — cada recipiente de brilho, cada baú de tesouros. Fico imaginando com quantos baús de produtos de beleza ela viajou este ano, lembrando das histórias de que, em edições anteriores do Vogue World, esse número chegava às centenas. “Para esta edição, foram 30”, diz ela. “Viajando leve!”, comento. “Sim, estávamos viajando como mochileiros”, diz McGrath, rindo. “Estávamos com tudo bem enxuto.”
Vogue World: Milão
Sofi Adams
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Sofi Adams
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Sofi Adams
Essa matéria foi publicada originalmente na Vogue US com o título: Archival Y2K Glitter and Trunks of Beauty: Inside the Making of Dame Pat McGrath’s Vogue World Milano Makeup Vision