Saúde
15 de setembro de 2026Em um sistema marcado por alta demanda, recursos limitados e diferentes realidades regionais, falar em eficiência no SUS exige ir além da redução de custos. O desafio está em fazer escolhas, estabelecer prioridades e transformar estratégia em resultados concretos para a população.
Esse será um dos pontos centrais da participação de Carolina Lastra, diretora executiva do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês, no HIS 2026, nesta terça,16 de setembro, no São Paulo Expo.
“A diferença está na capacidade de fazer escolhas, estabelecer prioridades e transformar estratégia em execução”, afirma.
No IRSSL, essa lógica combina indicadores, processos estruturados, tecnologia e desenvolvimento de pessoas. Para Carolina, a gestão orientada por dados precisa estar acompanhada de lideranças próximas da operação e de uma cultura voltada à responsabilidade, colaboração e melhoria contínua.
Os resultados, segundo a executiva, aparecem na capacidade de ampliar a entrega sem comprometer a assistência. Em 2025, o IRSSL registrou crescimento de 28,4% nos procedimentos cirúrgicos, 38,7% nas consultas e 80% nos atendimentos de urgência, além de avanços em certificações de qualidade e segurança.
A busca por eficiência também passa por uma mudança de perspectiva. Reduzir despesas, isoladamente, não significa necessariamente melhorar a gestão.
“Eficiência não é simplesmente gastar menos, é gerar mais valor com os recursos disponíveis”, resume Carolina.
A avaliação, portanto, precisa considerar custo, produtividade, acesso, qualidade e segurança de forma integrada. Um exemplo é o Hospital Geral de Taipas, onde o IRSSL reduziu em cerca de 44% os custos de materiais e medicamentos cirúrgicos e, simultaneamente, ampliou os atendimentos multiprofissionais de 250 para mais de 1.300 no ano, além de avançar nos indicadores de segurança do paciente.
A experiência também reforça o papel da tecnologia como instrumento de gestão. No Hospital Geral do Grajaú, a informatização contribuiu para tornar decisões mais ágeis e reduzir eventos adversos. Mas, para Carolina, ferramentas e processos não produzem transformação sozinhos.
“Tecnologia, certificações e processos, sozinhos, não transformam uma organização. O que faz a diferença é a capacidade das pessoas e das lideranças de incorporá-los à rotina e utilizá-los para tomar decisões melhores”, enfatiza.
Outro desafio é transformar iniciativas bem-sucedidas em soluções que possam ser disseminadas pelo SUS. Para Carolina, isso exige fazer com que a inovação deixe de depender de uma liderança ou equipe específica e passe a fazer parte da cultura e dos processos da organização.
“Para ganhar escala, a inovação precisa deixar de ser apenas um projeto bem-sucedido e se transformar em cultura e em um processo que possa ser compreendido, acompanhado e replicado”, avalia.
A expansão, porém, não significa simplesmente copiar modelos. É necessário adaptar soluções às diferentes realidades estruturais, assistenciais e territoriais, mantendo princípios e metodologias que possam ser compartilhados.
Nesse processo, a colaboração entre governo, hospitais, academia e empresas também ganha importância. O ponto de partida, de acordo com a execui, deve ser sempre um problema concreto do sistema — e não a tecnologia disponível.
“A inovação precisa responder a uma necessidade concreta da população ou da operação, e não simplesmente incorporar uma nova tecnologia ou solução porque ela está disponível.”
É a partir dessa perspectiva — que conecta gestão, dados, tecnologia, liderança e inovação aos desafios reais do SUS — que Carolina deve conduzir sua discussão no HIS 2026.
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