categoria Saúde
Data 16 de setembro de 2026

O Healthcare Innovation Show 2026 deu início à sua 12ª edição no São Paulo Expo, na capital paulista. Juliana Vicente, diretora do portfólio de Saúde da Informa Markets, destacou a relevância e o impacto do HIS no setor de saúde, além do caráter inovador do evento, que se reinventa a cada ano para apresentar o que há de mais moderno em tecnologia e inovação na saúde.

“O HIS é aquele evento onde uma conversa vira parceria, uma palestra pode mudar a sua visão de negócio e um insight que você pode ter aqui acaba virando uma vantagem competitiva real”, afirma Juliana.

Também reforçou o papel do evento na conexão entre gestão, tecnologia e cuidado humanizado, bem como no compartilhamento de soluções e exemplos práticos do mercado.

Conexões que redefinem o setor

A principal novidade desta edição é a estreia de um espaço dedicado a rodadas de negócios e matchmaking. A estrutura aproxima compradores, fornecedores de tecnologia e startups, conectando demandas do mercado a soluções e potenciais parcerias.

“A tecnologia só faz sentido quando gera eficiência e sustentabilidade financeira. Acompanhamos a evolução do setor e, por isso, ampliamos as oportunidades de negócios no HIS 2026 com essa nova área, projetada para conectar tomadores de decisão e acelerar acordos estratégicos”, destaca Juliana.

A iniciativa parte de um público majoritariamente formado por tomadores de decisão. Segundo dados da organizadora, 77% dos participantes ocupam cargos de alta liderança, entre presidentes, CEOs, diretores e gestores.

O clínico inovador

Brian Han, médico intensivista e cardiologista pediátrico da Stanford University, ministrou a palestra de abertura sobre o papel do profissional de saúde no ecossistema digital. Durante a apresentação, o especialista destacou a importância do envolvimento direto do médico no desenho e na validação de algoritmos de triagem, fluxos de automação em UTIs e ferramentas de suporte assistencial.

“Como médico na ponta e cardiologista pediátrico, vejo todos os dias que a transformação digital precisa da participação direta do profissional de saúde. Não basta recebermos ferramentas prontas. Precisamos participar da escolha de fluxos digitais para acelerar decisões sem perder a humanização do atendimento”, comentou Han.

Indústria farmacêutica e acesso

No Palco Acesso e Escala, Lorice Scalise, presidente da Roche Farma Brasil detalhou os desafios do mercado farmacêutico e as oportunidades trazidas pela transformação digital. A executiva ressaltou também que a inovação precisa ir além dos avanços científicos, pois trata-se de uma ação que exige a aplicação prática dessas descobertas na realidade assistencial, a exemplo da interoperabilidade de dados entre laboratórios, hospitais e operadoras, essencial para um cuidado mais personalizado. 

Outra estratégia imediata é a análise preditiva, que auxilia no mapeamento da jornada do paciente, na antecipação de demandas de suprimento e no desenho de novos modelos de remuneração com base no valor de saúde entregue, e não apenas na prestação de serviço. A especialista também afirmou que os tratamentos avançados dependem da união de dados qualificados com parcerias público-privadas.

Navegação oncológica

Na sequência, no Palco Cuidado Digital e Humanizado, foi a vez de Daniella Bahia, diretora médica de Práticas Assistenciais, P&D do Grupo Fleury e integrante do Comitê Técnico da Croma Oncologia, apresentar o o case “Navegação oncológica na prática: como coordenar jornada, aumentar adesão e evitar perda de seguimento”.

A especialista abordou sobre como falhas na jornada assistencial comprometem desfechos clínicos e geram custos evitáveis. Para ilustrar essa atuação prática na redução de atrasos de diagnósticos e melhoria do engajamento de pacientes, Daniella apresentou o “projeto Fast Track CA Mama”.

A iniciativa utiliza algoritmos para leitura de laudos, notificações de exames e envio de resultados por WhatsApp. O projeto reduziu em 36,3% o tempo entre o exame alterado e a biópsia, reinserindo 12% dos pacientes com nódulos de tórax no acompanhamento.

“A integração entre inteligência de dados e assistência humanizada permite identificar gargalos na jornada antes que o paciente abandone a continuação, garantindo que o tempo de resposta seja o menor possível entre a suspeita e a conduta terapêutica”, disse.

HISx leva experiências de outros setores à saúde

Outra novidade desta edição é o HISx, espaço que reúne empresas de outros setores para discutir desafios operacionais comuns à indústria da saúde. A iniciativa leva experiências de mercados de alta complexidade para debates sobre eficiência e gestão no setor.

Entre os casos apresentados estão o uso de inteligência artificial (IA) pela GOL Linhas Aéreas na segurança operacional. Juliana Freitas, coordenadora digital de IA e Inovação da GOL Linhas Aéreas, apresentou algumas das principais experiências da companhia responsável por  gerenciar 700 voos diários e 31 milhões de passageiros ao ano.

A executiva falou sobre como a IA ajudou na melhoria do atendimento, além de ter abordado temas como análise preditiva, automação e redução de riscos operacionais.

Para demonstrar essa eficiência, a empresa apresentou o chatbot “GAL”, solução que foi resultado de longos períodos de testes, antes de ser aplicada em grande escala. A solução simplifica o atendimento ao cliente e a rotina dos colaboradores. Juliana destacou a necessidade de validação gradual para a segurança dos processos:

“A inteligência artificial precisa ser tratada como ferramenta de inovação essencial, passando por etapas rigorosas de estudo sobre aplicabilidade e potencial. O grande aprendizado para a saúde está em testar em escala reduzida para, então, aplicar em larga escala com eficiência”, explicou.

Conteúdo diversificado para o setor

O evento também conta com uma arena aberta a todos os visitantes, dedicada a conteúdos com a curadoria da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), Associação Brasileira de Startups de Saúde e Healthtechs (ABSS), Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP) e Hospital São Camilo.

Nesta edição, o HIS também estreou um debate no formato Oxford Style, no qual especialistas defendem posições opostas sobre a avaliação econômica dos medicamentos GLP-1, com votação do público em tempo real.

Acompanhe, no Saúde Business, a cobertura do HIS 2026 e veja os principais debates e tendências que estão movimentando o setor de saúde.

The post HIS 2026 começa com nova área de negócios e amplia agenda de inovação appeared first on Saúde Business.