categoria Comportamento
Data 24 de julho de 2026

Michael J. Fox abriu detalhes sobre um dos momentos mais delicados de sua vida: a decisão de revelar publicamente que tinha Parkinson. O ator, conhecido por papéis marcantes como o protagonista da franquia “De Volta para o Futuro”, afirmou que a exposição do diagnóstico trouxe desafios não apenas para ele, mas também para sua esposa, Tracy Pollan.
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o artista, atualmente com 65 anos, contou que assumir publicamente a doença foi uma experiência difícil para a família, especialmente para Tracy, que acompanhou de perto todas as mudanças causadas pelo Parkinson ao longo dos anos.
“Foi um inferno para a Tracy, foi muito difícil para ela – e ainda é, porque está sempre mudando”, disse o ator, de 65 anos, ao The Hollywood Reporter sobre o impacto que o diagnóstico teve em sua esposa, Tracy Pollan. “Mas eu disse a ela: ‘Preciso ir até o fim. Sem meias medidas.’”
Michael J. Fox e Tracy Pollan
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Fox explicou que, ao decidir falar abertamente sobre sua condição, passou a enxergar sua própria história como uma oportunidade de representar milhares de pessoas que conviviam com a doença sem a mesma visibilidade ou recursos que ele possuía.
“Comecei a entender como era para essas pessoas que não tinham as opções ou as escolhas que eu tinha, não tinham as conexões e os motivos para serem otimistas”, continuou o ator de De Volta para o Futuro na entrevista, publicada na quarta-feira (22.07). “Eu precisava normalizar isso e simplesmente ser assim o tempo todo. Eu disse: ‘Não posso esconder isso. Dane-se a vaidade.’”
O diagnóstico veio em 1991, quando Michael J. Fox tinha apenas 29 anos. Ele foi diagnosticado com Parkinson de início precoce, uma doença neurológica progressiva que afeta os movimentos e o sistema nervoso. Durante anos, o ator manteve a informação em segredo antes de decidir contar ao público em 1998.
Michael J. Fox e Tracy Pollan
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Após revelar a doença, Fox criou a Fundação Michael J. Fox para Pesquisa da Doença de Parkinson, instituição que se tornou uma das principais organizações dedicadas ao avanço de estudos e tratamentos para a condição. Desde sua criação, a fundação já destinou bilhões de dólares para pesquisas científicas.
O ator revelou que ficou surpreso com a reação positiva de muitas pessoas diagnosticadas com Parkinson quando decidiu compartilhar sua história. Segundo ele, em uma época em que havia muito estigma em torno da doença, sua exposição ajudou a mudar a forma como o tema era discutido.
“Pensei: ‘Que se dane! Eu tenho Parkinson e vocês estão comemorando'”, disse Fox ao The Hollywood Reporter, acrescentando mais tarde: “Eu entendi. As pessoas naquela época jamais admitiriam que tinham Parkinson.”
Michael J. Fox e Tracy Pollan
Reprodução/Instagram
eborah W. Brooks, parceira de negócios de longa data de Fox e CEO da Fundação Michael J. Fox, destacou que a postura do ator ao longo das últimas décadas foi marcada pela disposição de mostrar sua realidade sem esconder as dificuldades.
“Não existe nenhum outro paciente com Parkinson que permita que as pessoas vejam sua vida 35 anos após o diagnóstico”, disse Deborah W. Brooks, parceira de negócios de longa data de Fox e CEO da Fundação Michael J. Fox, ao The Hollywood Reporter. “Essa é uma escolha de generosidade muito ativa. Não é uma questão de ego. É uma disposição simplesmente para ser.”
Segundo Brooks, o trabalho desenvolvido pela fundação ajudou a transformar o cenário das pesquisas sobre Parkinson e ampliou as possibilidades de novos tratamentos.
“É uma doença difícil – o tratamento é difícil de obter, não é nada fácil. O panorama científico global também se transformou, e isso é um subproduto direto de toda a pesquisa que financiamos nos últimos 20 anos ou mais”, disse ela ao The Hollywood Reporter. “Quando começamos, quase nada havia chegado à fase de testes em humanos. Hoje, existem cerca de 180 programas de medicamentos para Parkinson em fase de testes em humanos.”
Michael J. Fox e Tracy Pollan
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Mesmo após anunciar sua aposentadoria da atuação durante a pandemia de Covid-19, Fox voltou aos sets para participar da série “Shrinking”, na qual interpretou um personagem com Parkinson ao lado de Harrison Ford. O trabalho marcou uma experiência inédita para o ator, que viveu na ficção uma situação semelhante à sua própria realidade.
“[Ford] ficou feliz por eu estar compartilhando minha experiência com ele como personagem e ajudando-o a fazer o que precisava”, disse ele ao The Hollywood Reporter. “Ele foi muito carinhoso. Eu não sabia o que esperar de Harrison, porque ele é notoriamente um cara estoico e rabugento – e ele é realmente um querido.”
O retorno à atuação também teve um significado especial para Fox, que afirmou que trabalhar novamente trouxe novos estímulos para sua vida e ajudou a manter sua conexão com a profissão que marcou sua trajetória.
Michael J. Fox e Tracy Pollan
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Ao falar sobre o futuro, o ator explicou que não considera completamente encerrada sua carreira, mas reconhece que agora precisa respeitar os limites impostos pela doença. “Não me aposentei da atuação, mas se eu não voltasse a atuar, seria por um ótimo motivo”, disse Fox ao The Hollywood Reporter. “Deixo que o Parkinson tome as decisões por mim.”
Para Michael J. Fox, transformar a própria experiência em uma ferramenta de conscientização se tornou uma das maiores missões de sua vida. Mesmo diante dos desafios físicos e emocionais, o ator continua usando sua história para incentivar pesquisas e dar visibilidade a milhões de pessoas que enfrentam a doença.
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Fonte: Vogue