Comportamento
25 de julho de 2026
Por muito tempo, as mulheres negras apareceram no audiovisual como coadjuvantes, como suporte para a trajetória de outras personagens ou presas a um punhado de estereótipos, quase nunca no centro das próprias histórias. O cenário começou a mudar conforme novos nomes chegaram ao roteiro e à direção, e as experiências de mulheres negras passaram a ganhar contornos mais variados nas telas, com espaço para desejo, conflito, afeto e outras formas de existir.
É essa pluralidade que a colunista Luiza Brasil coloca em foco ao reunir quatro obras audiovisuais para marcar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, neste sábado (25.07). Títulos como Cor Púrpura, Xica da Silva e Preciosa seguem importantes para essa historicidade, mas hoje há muito mais vivências, identidades e desejos cabendo dentro das narrativas.
A seguir, as quatro indicações de Luiza para ampliar esse olhar. A última fecha a lista com uma direção brasileira.
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Falando de Amor
Estreia de Forest Whitaker na direção de longas, o filme adapta o romance de Terry McMillan e acompanha quatro amigas que se apoiam enquanto atravessam separações, recomeços e a busca por relações que valham a pena. “A película de 1995, dirigida por Forest Whitaker, é estrelada pela saudosa Whitney Houston, e também protagonizada por nomes como Angela Bassett, Lela Rochon e Loretta Devine”, apresenta Luiza. “Considerada um ‘Sex and the City’ antes mesmo de a série ganhar vida, a trama gira em torno de quatro mulheres bem-sucedidas, e retrata as complexidades das relações amorosas e os desafios de manter a paixão viva em diferentes estágios da vida.”
Ela Quer Tudo
Filmado em preto e branco e com orçamento baixo, o longa marcou a estreia de Spike Lee e ganhou uma versão em série pela Netflix, com DeWanda Wise no papel principal. “Estreado em formato de longa por Spike Lee em 1986, tornou-se série em 2017. A obra tem como nome central o da Nola Darling e aborda um tema bastante complexo: a sexualidade negra feminina”, situa Luiza, que resume o que a atrai na história. “Uma temática ousada, sensível e que merece muito debate para além das telas.”
Insecure
Nascida da websérie Awkward Black Girl, a produção rendeu cinco temporadas na HBO e virou ponto de encontro de uma geração. “Dirigida por Issa Rae, a série de comédia dramática retrata experiências femininas a partir da perspectiva de duas protagonistas, Issa (Issa Rae) e Molly (Yvonne Orji), melhores amigas desde os anos de faculdade em Stanford”, descreve Luiza. “As personagens vivem os dilemas contemporâneos de muitas mulheres que beiram os seus 30 anos: relação com a carreira, questões familiares, os impasses afetivos, tudo isso com Los Angeles, na Califórnia, enquanto plano de fundo. A série com cinco temporadas foi aclamada pela crítica e ganhou reconhecimentos importantes como o do American Film Institute, que a selecionou como um dos 10 melhores programas de televisão de 2017.”
Rainha
A única produção brasileira da lista fica por conta de Sabrina Fidalgo, que assina roteiro e direção do média-metragem premiado como melhor filme pelo júri popular no Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, em 2016. “O brasileiro ‘Rainha’, de Sabrina Fidalgo, é um média-metragem de 2016, que conta a história de Rita (Ana Flávia Cavalcanti), uma mulher que sonha em ser Rainha de Bateria da Escola de Samba de sua comunidade”, conta Luiza. “Mas, como a vida das Rainhas da festa de Momo, ela lida com os ‘anjos e demônios’ de assumir este posto, as privações, as exigências em torno dos padrões físicos e, claro, o emocional.”
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