categoria Comportamento
Data 19 de julho de 2026

Apesar de apresentarem níveis de confiança raramente vistos no ambiente digital, criadores de conteúdo com deficiência ainda enfrentam baixa presença nas campanhas publicitárias brasileiras. É o que revela a pesquisa inédita “O poder da influência de Criadores com Deficiência”, realizada pela Tambor.biz, agência responsável pelo desenvolvimento e levantamento de negócios na creator economy.

Confiança e autenticidade em alta

A sondagem, conduzida com 453 correspondentes em todo o país entre outubro e novembro de 2025, aponta um cenário de forte credibilidade combinado a uma subutilização estrutural por parte das marcas. Segundo os dados, 98,2% das pessoas afirmam confiar nas indicações feitas por influenciadores com deficiência, enquanto 98,7% consideram essas recomendações autênticas.

Ainda assim, o mercado não acompanha esse potencial. A pesquisa mostra que 92% das pessoas com deficiência não se sentem representadas pela publicidade, e 52,7% nunca participaram de uma campanha paga. Esse descompasso se torna ainda mais relevante diante do tamanho desse público: o Brasil possui mais de 14 milhões de pessoas com deficiência, que movimentam cerca de R$ 260 bilhões por ano em renda.

Impacto direto no consumo e audiência madura

Além da confiança, os dados também indicam impacto direto no consumo. Mais da metade dos respondentes (62,7%) afirma já ter comprado produtos ou serviços a partir da indicação de creators com deficiência, número que sobe para 65% entre pessoas que são ou convivem com alguém com deficiência.

Outro dado relevante revela um comportamento maduro da audiência: 92% dos participantes dizem conseguir identificar quando um conteúdo é publicidade paga, mas isso não representa rejeição automática. Pelo contrário, 82% afirmam que costumam assistir às campanhas em vez de ignorá-las.

Para Vitor Bastos, fundador e CEO da Tambor.biz, o principal desafio do mercado não está na credibilidade dos creators, mas na forma como as marcas estruturam suas estratégias.

“Quando a confiança ultrapassa 98%, estamos falando de um ativo gigantesco. O problema é que o mercado ainda trabalha com ações pontuais, quando deveria construir relações consistentes e estratégicas”, afirma.

A pesquisa também desmistifica uma percepção comum sobre barreiras de consumo. Entre os 37,3% que nunca compraram a partir das indicações, o principal motivo não é financeiro, mas a falta de interesse no produto, evidenciando um desalinhamento entre campanhas e o contexto da audiência.

Desalinhamento e oportunidades de mercado

Segundo o estudo, a conversão tende a acontecer quando há conexão real entre produto, creator e momento de vida do público. Isso reforça a necessidade de campanhas mais consistentes, com uso contínuo e maior integração com a rotina dos influenciadores.

“O que os dados mostram é que não basta investir em diversidade como discurso. É preciso estratégia, recorrência e, principalmente, coerência entre o produto e a comunidade daquele creator”, completa Bastos.

O relatório também indica que, no momento da decisão de compra, 63,1% das pessoas priorizam recomendações de influenciadores com deficiência, não apenas por representatividade, mas, sobretudo, pela confiança e autenticidade que transmitem.

Ao reunir dados sobre credibilidade, intenção de compra e o potencial econômico desse segmento, o levantamento aponta para um mercado ainda pouco explorado, indicando oportunidades para marcas desenvolverem estratégias alinhadas a esse público.

Para Bastos, o cenário aponta menos para uma lacuna e mais para uma mudança inevitável na forma como o marketing de influência será estruturado nos próximos anos. “Não estamos falando de uma tendência, mas de um ajuste de rota do próprio mercado. Existe audiência, confiança e capacidade de consumo, o que vai diferenciar as marcas daqui para frente é a habilidade de transformar isso em estratégia consistente, e não em ações isoladas”, finaliza.

Fonte: Promoview