categoria Comportamento
Data 24 de julho de 2026

Há 15 anos, quando a Isolda surgiu, o cenário da moda brasileira era bastante diferente do atual. Antes de o Brasil ganhar espaço nas conversas sobre luxo, artesania e design autoral, a marca já apostava em uma identidade construída a partir do fazer manual do país. O tempo mostrou que a aposta fazia sentido. Hoje, a comemoração desse percurso ganha forma na coleção Casa Jabuticaba, que marca a estreia da etiqueta no beachwear e reforça um universo criativo que também se estende à perfumaria, aos objetos para casa e a outras categorias.
Isolda, coleção Casa Jabuticaba
Divulgação
Criada em 2011 por Juju Affonso enquanto vivia em Londres, a marca nasceu do encontro entre diferentes referências culturais. Filha de mãe inglesa e pai brasileiro, a estilista cresceu entre o Maranhão, onde nasceu, e Salvador, na Bahia, experiência que até hoje alimenta o imaginário tropical que permeia as coleções da etiqueta. O próprio nome Isolda é uma homenagem familiar: faz referência ao apelido carinhoso dado pelo crítico literário Alceu Amoroso Lima à esposa, inspirado na clássica história de Tristão e Isolda.
“Desde o início sempre olhamos para dentro do Brasil, valorizando nossa fauna, flora, cultura, artesãos, materiais e arte. Sempre fomos fiéis ao nosso DNA e, assim, conquistamos mulheres ao redor do mundo”, comenta Juju.
Esse olhar acompanhou a marca desde as primeiras estampas de cajus, goiabas e azulejos até a recém-lançada coleção Casa Jabuticaba, desenvolvida no ateliê da marca, em Pinheiros. A novidade também marca a estreia da Isolda no universo do beachwear, ampliando um repertório que, ao longo dos anos, já transitou por perfumes, objetos para casa, coleções infantis e colaborações especiais.
Isolda, coleção Casa Jabuticaba
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A expansão acontece em um momento em que a moda nacional vive uma nova projeção internacional. Mas, quando a Isolda começou a desfilar e apresentar suas coleções em cidades como Paris, Londres e Nova York, o cenário era ainda mais desafiador para nomes brasileiros. As buyers internacionais conheciam pouco sobre o Brasil, e a marca acabou ocupando um papel quase pioneiro ao apresentar coleções pintadas à mão e inspiradas em referências tropicais e culturais brasileiras.
A consolidação desse universo também passou por um reposicionamento da marca. Em 2020, Juju assumiu integralmente a direção da empresa e reforçou o compromisso da Isolda com uma produção em ritmo mais desacelerado, baseada em coleções limitadas, reaproveitamento de materiais e valorização de processos artesanais.
Na visão da estilista, o interesse global pelo país cresceu à medida que o mundo passou a olhar com mais atenção para a riqueza cultural brasileira. Ao mesmo tempo, ela observa que o mercado se tornou mais competitivo e acelerado.
“Hoje existem muito mais marcas, mas nem sempre elas carregam alma, criatividade ou originalidade”, acredita.
Agora, além da chegada da coleção Casa Jabuticaba e da estreia na moda praia, a marca também celebra outro passo internacional: o perfume Flor de Cajueiro, desenvolvido em parceria com a Phebo, acaba de desembarcar na Samaritaine, tradicional loja de departamentos em Paris.
Isolda, coleção Casa Jabuticaba
Divulgação
Quinze anos depois de colocar estampas brasileiras no mapa da moda internacional, a Isolda segue olhando para as próprias raízes. Agora, expandindo esse universo para novos territórios sem abrir mão da identidade que sempre definiu a marca.

Fonte: Vogue