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23 de setembro de 2026
Se você frequenta cafeterias, acompanha as tendências de gastronomia ou simplesmente passa algumas horas scrollando nas redes sociais, provavelmente já percebeu: o matcha está em toda parte. O chá verde japonês moído em pó ganhou status de fenômeno global e, nos últimos anos, passou a aparecer em lattes, receitas de sobremesas e rituais de wellness. Para se ter uma ideia, só no TikTok, a #matcha já reúne quase seis milhões de conteúdos. Agora, a febre parece chegar a um novo território: a perfumaria.
“O matcha tem um cheiro particular. É verde, fresco, vegetal, com uma faceta quase cremosa e uma leve amargura”, explica a especialista em fragrâncias, Helen Augusto, em entrevista à Vogue Brasil. Segundo ela, é justamente essa combinação de contrastes que torna o acorde interessante e permite interpretações não-literais. Ou seja, na prática, isso quer dizer que não existe necessariamente um único “cheiro de matcha”. Quando combinado a cítricos, folhas e notas aquáticas, por exemplo, ele tende a um lado mais fresco e luminoso. Com ervas aromáticas, pode se tornar mais herbal; ao lado de madeiras, musks e notas terrosas, adquire profundidade e conforto. Já baunilha, sândalo e acordes lactônicos acentuam seu lado cremoso. “É um ingrediente sofisticado, porque não precisa ser doce para ser envolvente”, resume a expert.
Matcha Milk, Phlur
Reprodução/Instagram
É nesse ponto, inclusive, que o matcha se encontra com uma das grandes tendências da perfumaria: a revolução do gourmand. Depois de temporadas marcadas por baunilhas, caramelos, pistache, frutas açucaradas e sobremesas em diferentes interpretações, cresce o interesse por fragrâncias que evocam o universo comestível sem necessariamente reproduzir seu excesso de açúcar. O chá ocupa, então, esse espaço de maneira particular, oferecendo textura e uma impressão gustativa, mas com o contraponto vegetal. “Gourmand não precisa ser sinônimo de ‘muito doce'”, defende Helen. “É quase como se estivéssemos saindo da confeitaria tradicional para entrar numa confeitaria asiática, na qual o doce muitas vezes vem acompanhado de uma nota verde, tostada ou amarga”.
Saiba mais
Para além disso, a relação com a cultura asiática ajuda a explicar outra parte desse sucesso. Embora o matcha tenha, sim, ganhado expansão global (segundo dados da Mordor Intelligence, o mercado da bebida foi avaliado em mais de US$ 3 bilhões em 2025 e deve ultrapassar os US$ 5 bilhões até 2031), sua história está profundamente ligada ao Japão e sua chegada à perfumaria acontece paralelamente a um interesse maior por referências olfativas asiáticas.
Depois do forte crescimento da perfumaria árabe no mercado internacional, outras tradições e matérias-primas do continente começam a ganhar espaço no imaginário ocidental, ampliando o repertório de ingredientes que podem inspirar as fragrâncias inéditas. Nesse cenário, o matcha não chega sozinho. Arroz, ginseng, hinoki, gergelim e hojicha, entre outros elementos associados à cultura e à gastronomia asiáticas, aparecem cada vez mais como referências possíveis para novas texturas e formas de construir o gourmand.
Thé Matcha 26, Le Labo
Reprodução/Instagram
Ao olhar para as prateleiras, um dos pioneiros dessa tendência, e também um dos exemplos mais conhecidos, é o Thé Matcha 26, da Le Labo, lançado em 2021. No mesmo ano, a Maison Margiela também ajudou a popularizar a ideia com o Matcha Meditation, da linha Replica. Mais recentemente, a bebida ganhou novas leituras, como o Matcha Milk, da estadunidense Phlur, e Freedom Musk Matcha | 45, da Kayali, que ainda não desembarcou no Brasil.
Por aqui, a conversa encontra espaço em propostas de diferentes perfis. O Uji Matcha, da Becquer Fragrances Lab, é uma criação da perfumista Jessica Soffiatti e parte da delicadeza do chá verde japonês para construir uma fragrância que equilibra frescor, textura e conforto. A linha de perfumaria para a casa Matcha & Hinoki, da L’Envie, aproxima o acorde da madeira japonesa; a coleção Matcha 00, da recém-lançada Juicie Rio, leva a referência para uma leitura brasileira; e Egeo Vanilla Ubesession, de O Boticário, combina o frescor do chá ao ube, uma espécie de inhame roxo nativo das Filipinas, e à baunilha, em uma interpretação explicitamente gourmand.
Uji Matcha, da Becquer Fragrances Lab
Divulgação
A diversidade de propostas é justamente uma das pistas de que o matcha pode estar ultrapassando o território da microtendência. Para Helen, sua força está na capacidade de servir como ponto de partida para narrativas olfativas diversas. “Um bom tema não é aquele que funciona apenas em uma fragrância, mas o que permite que diferentes perfumistas contem suas histórias a partir dele”, finaliza.
A seguir, descubra quatro fragrâncias nacionais com acorde olfativo de matcha para ter no radar:
Egeo Vanilla Ubesession, O Boticário
Egeo Vanilla Ubesession, O Boticário
Divulgação
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Matcha 00, Juicie Rio
Body & Hair Splash Matcha 00, Juicie Rio
Divulgação
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Uji Matcha, Becquer Fragrances Lab
Uji Matcha, Becquer Fragrances Lab
Reprodução/Instagram
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Perfect Matcha, Simple
Body splash Perfect Matcha, Simple
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Matchá Latte Eau de Parfum, Aiko
Matchá Latte Eau de Parfum, Aiko
Divulgação
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