categoria Bem Estar
Data 20 de setembro de 2026

Calor extremo e altas temperaturas afetam a saúde da população
Dias de calor extremo já se tornaram o novo “normal”. No entanto, além do desconforto e mal-estar dos últimos verões, o cenário que se descortina é o de uma emergência médica de grande envergadura. Não são apenas os casos de desidratação e insolação que preocupam os profissionais de saúde. Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Northwestern, em Chicago (EUA), indicou 33 diagnósticos que nem sequer são relacionados às altas temperaturas, como acidentes de trânsito e esclerose múltipla.
Calor extremo: associado a diagnósticos que vão além de desidratação e insolação
Geralt para Pixabay
Doenças associadas ao calor são difíceis de rastrear porque os prontuários médicos costumam registrar somente o problema tratado, sem apontar que a condição meteorológica pode ter contribuído para o quadro do paciente. O levantamento adotou uma metodologia inovadora, inspirada em pesquisas genômicas, para avaliar 1.803 diagnósticos em quase 1 milhão de atendimentos de emergência e urgência em Chicago de 2011 a 2023 – sempre entre os meses de maio e setembro, os mais quentes do Hemisfério Norte. Foi desse total que emergiram 33 diagnósticos ligados à exposição ao calor extremo, muitos dos quais surpreendentes.
“Proteger os indivíduos e as comunidades mais vulneráveis aos efeitos nocivos das mudanças climáticas é uma obrigação de saúde pública”, afirmou a autora principal, Hyojung Jang, doutoranda em bioestatística da faculdade de medicina da universidade. “Se monitorarmos apenas as doenças comumente associadas ao calor, vamos subestimar seu verdadeiro impacto.”
Alguns dos diagnósticos incluíram erupções cutâneas, inchaço, insuficiência renal aguda, esclerose múltipla, transtornos mentais e comportamentais, picadas de insetos, agressões físicas e ferimentos por arma de fogo. “Pesquisas anteriores haviam demonstrado que as pessoas tendem a agir com mais agressividade quando expostas ao calor extremo. Corpo e mente ficam sob estresse, o que pode gerar distrações ou agravar tensões, levando a um número maior de acidentes”, enfatizou o coautor Daniel Horton, professor da instituição.
O levantamento é o primeiro a empregar uma abordagem orientada por dados com base em estudos de associação genômica ampla (GWAS), visando a compreender melhor a gama de diagnósticos ligados à exposição ao calor extremo. Foram correlacionados dados clínicos da CAPriCORN – rede colaborativa que reúne grandes hospitais, centros médicos universitários, clínicas comunitárias e pesquisadores da região metropolitana de Chicago – com variáveis climáticas de tempo e espaço.
Especialista em eventos climáticos extremos e sua relação com a saúde pública, Horton lidera um grupo focado em conter seus impactos adversos em Chicago e arredores. O time desenvolveu um índice de vulnerabilidade da cidade e elaborou 30 propostas de políticas públicas, como ampliar a arborização urbana, instalar mais coberturas em pontos de ônibus, instituir normas de proteção para trabalhadores ao ar livre e estabelecer a obrigatoriedade de sistemas de refrigeração adequados em imóveis residenciais alugados.

Fonte: G1 Bem Estar