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18 de setembro de 2026
O novo livro de memórias de Charles Spencer, irmão da princesa Diana, promete trazer relatos pessoais sobre os acontecimentos que cercaram a morte e o funeral da integrante da família real. Em Swan Song: Diana, My Sister (Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã), o 9º Conde Spencer descreve os bastidores da cerimônia e as divergências que teria enfrentado ao lidar com membros da realeza.
Um dos primeiros trechos da obra foi publicado pelo Daily Mail nesta quinta-feira (17.09). No relato, Spencer afirma que atuou como uma espécie de intermediário entre sua própria família, o Palácio de Buckingham, então liderado pela Rainha Elizabeth, e o ex-marido de Diana, o então príncipe Charles, enquanto os preparativos para o funeral eram definidos.
“Diana continuou sendo deles, aos olhos do Palácio de Buckingham, mesmo após a morte”, escreveu ele. “Sua família, apesar do divórcio, simplesmente deveria acatar quaisquer decisões da família real.”
O funeral de Diana, Princesa de Gales, foi realizado na Abadia de Westminster em 6 de setembro de 1997
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Pedido de Diana teria sido rejeitado
Segundo Spencer, ele tentou levar aos responsáveis pelo funeral alguns desejos que Diana teria manifestado em vida. Entre eles estava a execução do Réquiem de Mozart durante a cerimônia.
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“Minhas irmãs sabiam que Diana sempre quis que o Réquiem de Mozart fosse tocado para ela, após sua morte.” Ao apresentar a sugestão, porém, Spencer afirma que recebeu uma negativa das autoridades responsáveis pela cerimônia.
“Mas quando transmiti isso, foi rejeitado como possibilidade: ‘Nenhuma parte de um réquiem pode ser tocada em um funeral da Igreja da Inglaterra’, me disseram”, relatou ele. “Mais tarde descobri que não era o caso – a primeira de várias inverdades que as autoridades tentariam me impor naquela época.”
O irmão de Diana também afirmou que teve contato com pessoas da realeza que demonstraram solidariedade naquele período, mas relatou ter percebido atitudes diferentes por parte de outros integrantes do Palácio. “Havia outros no Palácio, eu já sabia, que ficaram aliviados – aliás, satisfeitos – com a partida dela”.
Lady Di com a tiara Lover’s Knot
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Discussão sobre William e Harry
Outro ponto de tensão, segundo Charles Spencer, envolveu os filhos de Diana. Na época do funeral, o príncipe William tinha 15 anos e o príncipe Harry, 12. A discussão era sobre a possibilidade de os dois caminharem atrás do caixão da mãe durante o cortejo.
“’Bem, isso não vai acontecer’, eu disse, em tom pragmático”, lembrou Spencer. “Foi uma sugestão que me pareceu totalmente bárbara e completamente fora de questão.”
O funeral de Diana, Princesa de Gales, foi realizado na Abadia de Westminster em 6 de setembro de 1997
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Diana havia deixado o irmão como tutor legal de seus filhos, e Spencer afirma que utilizou essa posição para contestar a ideia. Segundo ele, Diana “nunca teria desejado submetê-los a algo tão horrível”.
Apesar disso, a decisão final também envolvia o pai dos meninos, o então príncipe Charles. Spencer relata que o ex-cunhado entrou em contato com ele por telefone para discutir o assunto.
“’Pelo que entendi, o senhor disse que não quer que William e Harry caminhem atrás do caixão de Diana’”, Spencer recorda de seu ex-cunhado dizendo, ao que ele respondeu: “Bem, claro que não, senhor. Diana jamais teria desejado isso.”
Quando o príncipe Charles citou sua própria experiência no funeral de seu tio, Lord Mountbatten, Spencer afirma que respondeu: “‘Mas o senhor tinha 30 anos, e ele não era sua mãe.'”
Charles Spencer relata discussão por telefone
De acordo com o relato publicado no livro, a conversa teria ficado cada vez mais tensa depois da resposta de Spencer. “Ele ficou furioso”, escreveu Spencer, segundo o trecho. “‘Esse é o problema da sua família. Eles não têm o menor senso de dever!’, começou ele, antes de entrar em um acesso de raiva generalizada.”
Spencer afirma que deixou o então príncipe continuar falando antes de ouvir uma declaração que, segundo sua interpretação, demonstrava desprezo pela forma como Diana era tratada e pela repercussão de sua morte.
“O Príncipe Charles continuou seu fluxo de raiva, sem que eu o interrompesse. Então ele parou. Presumi que a pausa sinalizasse uma tentativa de se controlar, mas então ele descarregou pelo telefone o que sempre interpretei como seu desprezo reprimido por Diana e seu horror pelo fato de o mundo ter ficado tão chocado com a morte dela: ‘Fiquem tranquilos’, ele sibilou, ‘nós a esqueceremos em breve!’ Fiquei tão atônito que levei alguns segundos para responder. ‘Não acredito que você acabou de dizer isso’, falei secamente, antes de desligar.”
O funeral de Diana, Princesa de Gales, foi realizado na Abadia de Westminster em 6 de setembro de 1997
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Palácio se manifesta após publicação do trecho
A PEOPLE procurou o Palácio de Buckingham, que não comentou o conteúdo do livro. Um dia antes, entretanto, a instituição havia divulgado uma declaração após a publicação antecipada pelo Daily Mail do relato envolvendo a suposta frase sobre Diana.
O comunicado de um porta-voz do Palácio dizia: “Embora não comentemos livros por princípio, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraternal pode nublar a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda.”
William e Harry já falaram sobre o cortejo
A participação de William e Harry no cortejo fúnebre de Diana também foi abordada pelos próprios irmãos no documentário da BBC Diana, 7 Days, lançado em 2017. Na produção, os dois afirmaram que a decisão de caminhar atrás do caixão foi tomada coletivamente pela família. William declarou: “Não foi uma decisão fácil, e foi uma decisão coletiva de toda a família”.
Harry também escreveu sobre o episódio em seu livro de memórias Spare, publicado em 2023. Na obra, ele relatou que Charles Spencer teria se oposto à ideia de fazer os dois meninos participarem do cortejo.
“Parecia demais pedir para dois meninos tão jovens. Vários adultos ficaram horrorizados. O irmão da mamãe, o tio Charles, fez um escândalo. ‘Vocês não podem fazer esses meninos andarem atrás do caixão da mãe! É bárbaro.’” Uma alternativa teria sido permitir que apenas William participasse. “Afinal, ele tinha 15 anos”, escreveu Harry. “‘Deixem o mais novo fora disso.’ Poupem o reserva.”
Segundo o duque de Sussex, a proposta também não teria sido aceita. “Devem ser os dois príncipes. Para ganhar simpatia, presumo.” “O tio Charles ficou furioso”, escreveu Harry. “Mas eu não. Eu não queria que Willy passasse por uma provação daquelas sem mim. Se os papéis tivessem sido invertidos, ele nunca teria querido – aliás, nunca teria me permitido – ir sozinho.”
Princesa Diana com Príncipes William e Harry
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Livro marca novo relato sobre Diana
Swan Song: Diana, My Sister foi anunciado no mês passado e representa, segundo Charles Spencer, a primeira vez que ele aborda de maneira “abertamente” e “extensivamente” a história da irmã. O autor afirmou que decidiu escrever a obra depois de receber uma grande quantidade de pedidos para falar sobre Diana, especialmente com a aproximação do 30º aniversário da morte da princesa.
Depois de gravar a versão em audiolivro, Spencer comentou sobre o projeto nas redes sociais e classificou a publicação como o livro “mais pessoal” que já escreveu. “No fundo, esta é uma simples homenagem de um irmão a uma irmã extraordinária”, escreveu ele. “Quando terminei a gravação, pensei: ‘É exatamente isso que eu queria e precisava dizer – e acredito que ela teria aprovado cada palavra.’”
Charles Spencer
Stuart McClymont/The Sunday Times News Licensing; Penguin
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