categoria Conexão
Data 17 de setembro de 2026

Macklemore decidiu transformar a remuneração que receberia pela turnê de Ed Sheeran em uma doação para organizações que atuam em apoio à população palestina. O rapper anunciou que destinará cerca de R$ 5,15 milhões (US$ 1 milhão), valor correspondente aos seus ganhos líquidos na “Loop Tour”, para seis entidades humanitárias.
A decisão foi divulgada poucos dias depois de o artista, de 43 anos, ser retirado da turnê por causa de seu posicionamento público em defesa da Palestina. Macklemore também aproveitou o anúncio para desafiar Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium, a igualar o valor.
Kraft havia pressionado pela retirada do rapper, segundo relatos, depois de afirmar a Ed Sheeran que cancelaria a apresentação do cantor no estádio de Foxborough, Massachusetts, caso Macklemore continuasse como atração de abertura. A participação do artista acabou sendo encerrada pelo promotor da turnê.
Revistas Newsletter
Em uma publicação feita no Instagram na quarta-feira (16.09), Macklemore afirmou que pretende direcionar a atenção para a situação humanitária na região.
“Com tudo o que aconteceu nas últimas 48 horas, quero trazer a conversa de volta para onde ela pertence: para o povo palestino que ainda está sendo morto, ainda vive sob ocupação militar e ainda luta por sua liberdade”, escreveu Macklemore.
O músico, cujo nome verdadeiro é Ben Haggerty, explicou que distribuirá o dinheiro entre seis organizações que, segundo ele, “trabalham diretamente para apoiar” pessoas na Palestina. São elas: Palestine Children’s Relief Fund, HEAL Palestine, Gaza Soup Kitchen, Medical Aid for Palestinians, UNRWA USA National Committee e Anera.
Na mesma publicação, Macklemore fez um apelo direto a Robert Kraft: “Convido Robert Kraft a igualar minha doação. Independentemente de nossas divergências, talvez possamos concordar nisto: as vidas palestinas merecem ser protegidas”, escreveu ele. “Uma vida palestina não é menos valiosa do que qualquer outra vida na Terra. É disso que se trata. Não de mim. Não de uma turnê. Não das manchetes ou da controvérsia. Trata-se do direito dos palestinos à liberdade, à dignidade e à segurança em sua própria pátria.”
A retirada do rapper teve novos desdobramentos na “Loop Tour”. Depois do anúncio, os três artistas que ainda fariam os shows de abertura, Finneas, Lukas Graham e Aaron Rowe, deixaram a programação. A banda de apoio Beoga também anunciou sua saída.
“Artistas não devem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos. Decidi cancelar minha participação na turnê com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e de seu povo”, escreveu.
Initial plugin text
Ed Sheeran, por sua vez, afirmou em um comunicado publicado em 15 de setembro que a decisão de retirar Macklemore não partiu dele, mas do promotor responsável pela turnê. O cantor disse ainda que tentou encontrar uma solução diante das posições dos locais que receberiam os próximos shows.
O intérprete de “Shape of You” também declarou reconhecer o “sofrimento e a dor de ambos os lados” do conflito entre Israel e Palestina e afirmou que foi informado de que algumas casas de shows cancelariam as apresentações caso Macklemore permanecesse na escalação.
“Fui informado de que essa posição se baseava em como Macklemore transmitiu parte de sua mensagem durante a apresentação, e não em tudo o que foi dito”, escreveu Sheeran. “Conversei bastante com os responsáveis ​​pelas casas de shows durante a semana para tentar chegar a um acordo. Uma dessas pessoas foi Robert Kraft. Também participei de conversas diretas com promotores e ativistas de ambos os lados para tentar encontrar uma solução mútua, mas a decisão das casas de shows e dos promotores foi definitiva.”
Sheeran acrescentou: “A decisão de Macklemore de encerrar a turnê foi do promotor, não minha. O contrato de Macklemore para a turnê era com o promotor, não comigo. Eu jamais decepcionaria os fãs que fizeram planos, nem abandonaria a equipe de turnê e os outros artistas e músicos de apoio que dependem de mim para trabalhar e ganhar a vida.”
Macklemore
Getty Images
Robert Kraft também divulgou um posicionamento sobre o episódio. Em sua declaração, o empresário afirmou que não queria “dar espaço para discursos de ódio” e questionou “as ações recentes de Macklemore, o material compartilhado no palco… e um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que acreditamos ter sido profundamente ofensivo e doloroso para a comunidade judaica”.
Robert Kraft
Getty Images
O Gillette Stadium, administrado pelo grupo de Kraft, havia confirmado que Macklemore não se apresentaria no local durante os shows de Sheeran. Kraft também assumiu publicamente sua participação na decisão relacionada ao estádio.
Na publicação desta quarta-feira (16.09) Macklemore afirmou que sua intenção é direcionar recursos para pessoas que atuam diretamente na região, mencionando especialmente profissionais de saúde, jornalistas e trabalhadores humanitários.
O rapper escreveu que esperava “dar atenção especial aos pais que carregam seus filhos” em hospitais mal equipados e também citou médicos, paramédicos, jornalistas e trabalhadores humanitários.
Ele ainda relatou a história de Muhammad al Zinati, de 15 anos, que, segundo Macklemore, morreu em um ataque aéreo israelense em 15 de setembro enquanto tentava ajudar um paramédico ferido.
“Fazer uma doação é uma das formas menos dispendiosas de solidariedade que tenho à minha disposição. Faço isso porque posso e porque essas organizações estão realizando o trabalho enquanto grande parte do mundo debate o assunto”, escreveu ele. “Mas a ajuda humanitária por si só não resolve as condições que a tornam necessária. Esta é uma injustiça criada pelo homem e acredito que exige uma mudança política imediata.”
Ao final da publicação, Macklemore pediu que o assunto não seja esquecido quando a atenção da imprensa se voltar para outros acontecimentos. “Quando o noticiário mudar de rumo, o que certamente acontecerá, não mudem junto. Palestina Livre.”
Canal da Vogue
Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

Fonte: Vogue