Comportamento
24 de junho de 2026
Já fazia 52 anos. O retorno da República Democrática do Congo à Copa do Mundo precisava acontecer em grande estilo. Quando a seleção congolesa desembarcou em Houston na semana passada, em sua primeira participação no torneio desde uma passagem decepcionante em 1974 —, não o fez vestindo uma grande maison de luxo ou carregando as bolsas do momento, mas sim usando criações do estilista Alvin Mak, um jovem de 30 anos nascido no Congo e radicado em Paris. Imagens da equipe chegando ao Texas, trajando ternos pretos de alfaiataria adornados com broches prateados em forma de leopardo e bolsas combinando, rapidamente conquistaram as redes sociais.
Mak estava presente para testemunhar o momento, sentado entre um grupo relativamente pequeno, mas apaixonado, de torcedores congoleses, muitos deles expatriados. A presença de pessoas vindas do Congo foi significativamente limitada pelo surto de ebola no país, que exigiu que viajantes — incluindo membros da seleção e da comissão técnica — cumprissem medidas de quarentena. Era a primeira vez do estilista nos Estados Unidos, e ele usava uma de suas próprias camisas com estampa de leopardo e um broche felino.
Batizado de terno “Moniama”, o modelo é confeccionado em crepe de seda e apresenta uma frente transpassada com um único botão, ombros marcadamente inclinados e uma cintura suavemente esculpida.
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O conflito em curso no país e os surtos de doenças nunca estiveram longe de seus pensamentos. “Nos últimos anos, quando as pessoas falam sobre o Congo, elas frequentemente se concentram na guerra, na violência ou em doenças como o ebola”, afirma Mak, que se mudou para Paris aos 11 anos. “Embora essas realidades existam, elas não definem a nossa cultura. Meu desejo era mudar a imagem e a percepção do meu país por meio da minha arte, mostrar e promover a cultura congolesa, os saberes artesanais e também contribuir para a geração de empregos no Congo.” Produzir 55 ternos para os jogadores e a comissão técnica representou um enorme desafio para a equipe principal de Mak, composta por apenas três pessoas em Paris, que contou com a ajuda de artesãos e profissionais do Congo para concretizar o projeto.
Mesmo sabendo do nível de elegância dos congoleses, a repercussão superou suas expectativas. “Estou recebendo mensagens, e-mails e ligações de todos os lugares — Austrália, Estados Unidos, Brasil, África, Europa — literalmente do mundo inteiro”, conta. “Esse reconhecimento global me enche de orgulho. Representa a culminação de muitos anos de trabalho duro e resiliência, ao mesmo tempo em que lança luz sobre o meu país, minha cultura e nossa expertise.”
Batizado de terno “Moniama”, o modelo é confeccionado em crepe de seda e apresenta uma frente transpassada com um único botão, ombros inclinados e uma cintura suavemente esculpida. A característica gola trompe-l’œil de Mak e um painel de veludo com estampa de leopardo unem simbolismo cultural e refinamento técnico. Para completar o visual, o estilista criou uma bolsa em formato de estrela, pensada para representar as ambições do Congo no torneio. A peça incorpora esteiras trançadas à mão por artesãos africanos, transformando técnicas tradicionais em um objeto geométrico contemporâneo.
Mak conta à Vogue norte-americana que abriu as encomendas tanto dos ternos quanto das bolsas combinando por meio do site da marca. Ele já recebeu mais de 100 pedidos.
O guarda-roupa da Copa do Mundo se inspira profundamente em referências culturais congolesas. No centro da coleção está a estampa de leopardo, um motivo com profundo significado simbólico em todo o país.
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O guarda-roupa da Copa do Mundo se inspira profundamente em referências culturais congolesas. No centro da coleção está a estampa de leopardo, um motivo com profundo significado simbólico em todo o país. “O leopardo é o animal emblemático e totêmico do Congo”, explica Mak. “Nas instituições, entre diferentes grupos étnicos e em muitas aldeias, ele simboliza poder, resiliência, espírito de luta, bravura e honra.”
A alfaiataria também faz referência à La Sape — sigla para Société des Ambianceurs et des Personnes Élégantes (Sociedade dos Criadores de Ambiente e das Pessoas Elegantes) — movimento de moda congolês celebrado por sua alfaiataria afiada e sua paleta vibrante. Há muito considerada uma expressão de aspiração e identidade, a La Sape ofereceu uma estrutura que Mak buscou reinterpretar para uma nova geração de atletas. “Ela reflete uma mentalidade de ambição e autoexpressão, que me inspirou profundamente e que eu queria transmitir”, afirma.
Mak nunca frequentou uma escola de moda. Em vez disso, aprendeu sozinho por meio de tutoriais no YouTube. Antes de lançar sua própria marca, há quase uma década, trabalhou com vendas em marcas de moda de luxo e contemporâneas. Ele desenhou pela primeira vez os looks da seleção do Congo para a Copa Africana de Nações de 2025, incluindo uma camisa de estampa de leopardo com ombros trançados. Antes da Copa do Mundo, apresentou ao Ministério dos Esportes do Congo uma proposta para um guarda-roupa totalmente novo. O que se seguiu foi um longo processo de provas e ajustes, à medida que os jogadores se preparavam para o torneio.
“Quero mostrar nossa visão, nossa expertise, a La Sape, o leopardo e o nosso espírito.” Como a República Democrática do Congo não reconhece a dupla cidadania, isso apenas intensificou o desejo de Mak de celebrar, por meio de seu trabalho, tanto suas identidades congolesa quanto francesa.
A ligação do designer com a equipe também é profundamente pessoal. O futebol faz parte de sua vida desde a infância, e ele sonhava em se tornar jogador profissional antes que uma lesão colocasse fim a esse objetivo. Com esta colaboração, diz ter encontrado outra forma de participar do esporte que ama. “O futebol sempre fez parte da minha vida”, afirma. “Por meio deste projeto, sinto que estou vivendo uma parte desse sonho.”
“Depois de 52 anos, disputar uma Copa do Mundo nos Estados Unidos é uma verdadeira honra”, afirma. A viagem também lhe proporcionou a oportunidade de reencontrar membros da seleção, com quem havia convivido diversas vezes ao longo do projeto. Após o apito final, ele conversava por FaceTime com o goleiro Lionel Mpasi.
Para completar o visual, o estilista criou uma bolsa em formato de estrela, pensada para representar as ambições do Congo no torneio. A peça incorpora esteiras trançadas à mão por artesãos africanos, transformando técnicas tradicionais em um objeto geométrico contemporâneo.
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Quanto aos próximos passos, Mak pretende continuar trabalhando com a seleção congolesa e já recebe consultas de clubes e federações nacionais interessados em colaborações semelhantes. Amanhã, ele deixará Houston rumo a Los Angeles para aproveitar outra oportunidade gerada pelo sucesso viral do projeto, antes de retornar ao seu estúdio no 1º arrondissement de Paris para administrar o crescente volume de encomendas. A marca espera expandir sua equipe em Paris, mantendo cerca de 80% da produção artesanal no Congo.
Enquanto isso, a marca homônima de Mak se prepara para seu passo mais ambicioso até agora: sua estreia nas passarelas durante a semana de moda de Paris, em janeiro de 2027. “Será o meu primeiro desfile”, diz. “E queremos que ele seja verdadeiramente memorável.”