Comportamento
12 de julho de 2026Toda marca que planeja uma campanha de compre e ganhe, um kit corporativo de fim de ano ou um colecionável esbarra na mesma encruzilhada: comprar o brinde pronto no Brasil ou importar brindes da China com um produto exclusivo. A segunda opção promete diferenciação e custo unitário menor em volume, mas vem cercada de dúvidas sobre prazo, imposto, quantidade mínima e risco.
Para separar mito de realidade, o Promoview reuniu as perguntas que mais aparecem quando uma marca considera importar e levou a quem lida com elas todos os dias: as três sócias da Lukka Brindes, fábrica e importadora de gifts personalizados com mais de quinze anos de operação. Karen Brandes, diretora de operações, Lumma Candi, diretora de produto e marketing, e Tania Nasser, head comercial, respondem cada uma a partir da sua área.
Importar brinde da China compensa quando o volume dilui frete e imposto e quando a marca quer um produto exclusivo que não existe pronto no mercado.
Como referência, a importação tende a valer a pena quando o custo final fica em torno de 70% do preço do equivalente nacional, e os ganhos de escala costumam aparecer a partir de 1.000 a 3.000 unidades.
O processo leva de 90 a 120 dias e recolhe Imposto de Importação (II), IPI, ICMS e PIS/COFINS. Para campanhas de fim de ano, o projeto precisa começar até julho ou agosto.
Uma importação de brinde sob demanda leva, em média, de 90 a 120 dias, contando desenvolvimento, aprovação, produção, transporte e nacionalização. Campanhas de datas fixas, do Natal ao Dia das Crianças, exigem que a decisão sobre o gift comece com folga.
O prazo é a etapa mais subestimada. Quem trata o brinde como item de última hora descobre tarde que o tempo de mar e o desembaraço aduaneiro não se negociam.
“Em média, uma importação sob demanda leva entre 90 e 120 dias, considerando desenvolvimento, aprovação, produção, transporte e nacionalização. Para campanhas de fim de ano, o ideal é iniciar o projeto até julho ou, no máximo, agosto. Esse planejamento garante mais opções de desenvolvimento, acesso às tendências internacionais e maior segurança na entrega”, explica Karen Brandes, diretora de operações da Lukka.
Importar compensa quando o volume dilui frete e imposto e quando a marca quer um produto exclusivo. Como parâmetro de mercado, a conta fecha quando o custo final da importação fica em torno de 70% do preço do equivalente nacional, e os ganhos de escala costumam surgir a partir de 1.000 a 3.000 unidades.
A conta também muda conforme o nível de exclusividade. Um produto desenvolvido do zero, com molde e acabamento próprios, justifica a importação pela impossibilidade de encontrá-lo pronto; um item de catálogo nem sempre compensa o esforço.
“Não existe uma regra única. O volume influencia, mas a decisão também passa pelo nível de personalização, pelo objetivo da campanha e pelo diferencial que a marca busca. Em muitos projetos, a partir de 1.000 a 3.000 unidades, a importação já começa a oferecer ganhos de escala. Mais do que economia, ela permite desenvolver produtos exclusivos, alinhados às tendências globais e que dificilmente são encontrados no mercado nacional”, afirma Lumma Candi, diretora de produto e marketing.
Sobre o brinde importado incidem Imposto de Importação (II), IPI, ICMS e PIS/COFINS, calculados sobre o valor do produto somado a frete e seguro internacional. Um detalhe que pega muita gente: não existe mercadoria de valor zero para a Receita Federal. Mesmo uma amostra enviada de graça pelo fornecedor precisa ter o valor de mercado declarado, sob risco de multa por subfaturamento.
No mercado interno, a distribuição de brindes também tem tratamento fiscal próprio: a legislação classifica o brinde como mercadoria que não é objeto normal da atividade da empresa e exige nota fiscal e destaque de impostos como ICMS e IPI na saída. A habilitação da empresa no Radar do Siscomex é pré-requisito para a operação. Quem importa precisa enxergar a conta cheia, da origem ao consumidor final.
“O maior erro é acreditar que importar é apenas comprar mais barato. O verdadeiro valor está em desenvolver um produto exclusivo, com design estratégico e alinhado às tendências globais. Quando a análise considera apenas o preço de fábrica, a marca deixa de enxergar o potencial de diferenciação que a importação oferece”, observa Lumma.
Sim. A quantidade mínima varia conforme o produto, o fornecedor e o grau de personalização, e há um limite pelo outro lado: um volume alto demais de itens idênticos pode ser descaracterizado como brinde pela fiscalização e autuado como importação comercial. A personalização com a marca ajuda a comprovar que o item não se destina à revenda.
Itens com molde exclusivo costumam pedir volumes maiores para diluir o custo de desenvolvimento; produtos de linha aceitam tiragens menores. Nesse ponto, quem combina produção nacional com importação sob demanda ganha margem de manobra.
“Ter fábrica própria no Brasil e operação de importação nos permite escolher a melhor estratégia para cada projeto. Quando o objetivo é rapidez ou menor volume, produzimos nacionalmente. Quando a marca busca exclusividade, inovação e acesso às principais tendências mundiais, a importação se torna uma solução estratégica”, detalha Tania Nasser, head comercial da empresa.
A regra prática separa exclusividade de conveniência. Importar faz sentido quando a marca quer um produto que não existe no mercado, com identidade própria e percepção de valor que sustente uma mecânica de compre e ganhe ou um colecionável. Comprar pronto resolve quando o prazo é curto, o volume é baixo ou o item de catálogo já atende.
O Promoview tem acompanhado como o gift deixou de ser item descartável para virar peça de estratégia, de kits de boas-vindas que constroem integração a ações de compre e ganhe no ponto de venda e a coleções que viram febre no varejo. A escolha entre importar e comprar pronto é o primeiro nó dessa estratégia.
“A decisão é simples: quando o objetivo é criar diferenciação e fortalecer a marca, desenvolve-se a solução que melhor equilibra estratégia, exclusividade, prazo e investimento”, resume Tania.
Muda, e de forma decisiva. O calendário promocional concentra demanda em poucos picos, e a origem da importação tem seus próprios períodos de pressão, quando as fábricas operam no limite e os prazos esticam.
Planejar fora da janela apertada garante condição melhor de preço, prazo e disponibilidade. É a diferença entre escolher o produto ideal com calma e aceitar o que sobrou porque o tempo acabou.
“Importar é planejamento. Quem começa antes tem acesso às melhores oportunidades, acompanha as tendências globais, desenvolve produtos exclusivos e evita que prazo ou sazonalidade limitem a criatividade da campanha”, conclui Karen.