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Data 24 de setembro de 2026

“Compare e se desespere.” A frase é da atriz Jamie Lee Curtis. Ela contou que precisou aprender a parar de se comparar com outras mulheres porque, quando fazia isso com Kate Middleton ou Judi Dench, por exemplo, sempre saía perdendo e ficava triste.
Já a atriz Adriana Esteves, quando perguntada sobre as cinco atrizes que mais invejava, respondeu que chamaria de “admiração”, não de inveja. Ela citou Gloria Pires, Renata Sorrah, Claudia Abreu, Fernanda Montenegro e Nathalia do Valle como artistas admiráveis. E ainda disse uma frase maravilhosa: “Não dá para comparar, não gosto de comparações. É uma grande cilada.”

Até Madonna, ao comentar o talento da filha Lourdes, confessou: “Morro de inveja porque ela é incrível em tudo o que faz”. A cantora contou que Lourdes dança, atua, toca piano e, em termos de talento, é melhor do que ela. Madonna disse que a inveja nasce quando cobiçamos aquilo que outra pessoa tem e deixamos de valorizar o que temos.
Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, escutei de uma psicóloga de 57 anos a seguinte frase: “A comparação e a inveja são os piores venenos para a minha felicidade”. Ela contou que vive se comparando com mulheres mais bonitas, mais jovens, mais talentosas, mais autoconfiantes, mais felizes, mais, mais, mais… Disse que a comparação tem um efeito autodestrutivo, porque, além de provocar insegurança, vergonha e inveja, corrói a autoconfiança e a autoestima.
“Não importa o quanto já conquistei, sempre me comparo com outras mulheres que enxergo como superiores. É um espelho quebrado que só mostra os meus defeitos, falhas e imperfeições. Um caco de vidro que machuca e faz sangrar. Por mais sucesso e reconhecimento que eu tenha, sempre vão existir mulheres com algo a mais. E, assim, só enxergo o que me falta. Às vezes acho que falta tudo. A comparação é uma das formas mais cruéis de violência simbólica.” Para ela, vivemos em uma cultura competitiva que nos ensina que nosso valor precisa ser provado e aprovado por meio de uma régua invisível que nós mesmas fortalecemos e reproduzimos. O êxito de uma mulher pode ser enxergado como uma ameaça ao valor de todas.
Após quase quatro décadas de pesquisas com milhares de mulheres de diferentes idades, aprendi que, em vez de lutar contra a comparação e a inveja, é melhor aprender a reconhecer o momento em que elas começam a nos diminuir. Nessa hora, a pergunta mais importante deveria ser: “O que em mim está sendo desvalorizado quando me comparo? Qual é o gatilho que provoca tanta insegurança, vergonha e inveja?”
Cheguei à conclusão de que o problema da comparação e da inveja não é apenas que elas diminuem o nosso valor. É que elas nos cegam para tudo aquilo que é único e incomparável. Ao nos aprisionar nesse hábito obsessivo de medir o nosso valor por meio do que vemos em outras mulheres, acabamos perdendo a capacidade de reconhecer o que em cada uma de nós não cabe em nenhuma comparação.
Compare e se desespere. Não dá para comparar: é uma grande cilada. Porque aquilo que há de mais valioso em nós é justamente o que não pode ser comparado.

Fonte: Vogue