Comportamento
03 de setembro de 2026A cada edição do Rock in Rio, uma pergunta se repete entre quem acompanha o mercado de brindes, que é descobrir o que a Movida vai lançar dessa vez. A marca vem construindo nas últimas participações uma linha colada ao universo da música e do lifestyle, e as bolsas ganharam o lugar de item mais aguardado, com um trabalho de material e acabamento que foge do kit padrão de festival.
Para 2026, a aposta foi esticar esse território conhecido em vez de trocá-lo. A peça que a marca distribui na Cidade do Rock é uma shoulder bag de PVC com fio de LED embutido, construída em cima de uma tendência que o público jovem já validou sozinho, a jelly bag, e de um recurso técnico desenvolvido sob medida para esta edição.
As jelly bags são bolsas de PVC ou TPU translúcido, com o efeito gelatinoso que dá nome ao item, e saíram do circuito de nicho para virar presença recorrente nas redes e nos looks de quem frequenta festival. Parte do apelo está no visual, porque a transparência e a cor vibrante chamam atenção a distância, e parte está no próprio material, que é leve, maleável e convida ao manuseio.
A Movida já vinha trabalhando nessa linguagem com a shoulder de PVC das edições anteriores, então o problema de 2026 não era achar um formato novo, e sim avançar dentro do mesmo repertório sem perder a essência jelly que já tinha virado assinatura do brinde.
Lumma Candi, diretora criativa da Lukka, e Allan Morais, gerente de projeto, dividem a conta dentro da empresa e responderam pela confecção da peça. O caminho até a solução final passou por pelo menos duas tentativas frustradas, e a primeira foi um material holográfico multicolorido, descartado porque a luz refletida devolvia um tom esverdeado que estava fora de cogitação para a marca. A segunda alternativa holográfica também não avançou, porque o efeito remetia a carnaval, universo estético distante do que o Rock in Rio representa para a Movida.
Quem redirecionou o projeto foi o próprio cliente. “O cliente foi direto: queria que a bolsa brilhasse de verdade, e isso abriu espaço para pensarmos em LED”, conta Allan Morais. A partir daí a equipe foi para a pesquisa de material até encontrar um fio de LED muito fino e ainda assim capaz de emitir luz de alta intensidade, que foi o que destravou a viabilidade técnica.
Ter a tecnologia em mãos resolvia só metade do problema. Transformar a ideia em produto exigiu uma modelagem inteiramente nova, criada para esta edição do festival, sem aproveitar o padrão de anos anteriores, e o time da Lukka precisou estruturar a peça de forma que o fio ficasse acomodado entre as vigas internas da shoulder bag sem comprometer a transparência, que é a marca registrada do PVC. O processo pediu ajuste fino e mão de obra intensa até o resultado atender ao mesmo tempo à estética e à funcionalidade que a marca esperava.
Produzir uma peça técnica em escala e dentro do prazo de um evento do porte do Rock in Rio depende menos da ideia e mais de estrutura de fábrica. A Lukka assinou a confecção própria da bolsa e tem 16 anos de mercado, produção própria e parceiros no Brasil e na China, o que dá o catálogo técnico e a capacidade de desenvolvimento sob medida que um pedido pouco convencional exige para sair do papel e chegar pronto para distribuição em massa.
A peça não se anuncia como item de LED. Por fora, ela se apresenta como uma shoulder transparente comum, dentro da linguagem que a Movida já vinha construindo nas edições anteriores do Rock in Rio, e o efeito só aparece quando o usuário abre o compartimento interno e encontra um botão discreto que comanda três modos de iluminação, uma luz fixa, uma versão mais suave e um modo piscante que a própria equipe de desenvolvimento elegeu como preferido. A intenção era que cada pessoa se sentisse única no meio da multidão e que a associação entre aquela luz laranja e a marca acontecesse de forma imediata, a distância, na visão de quem estivesse circulando pelos estandes durante a noite.
“O efeito visual foi o elemento mais importante da peça. Um produto com luz gera destaque automático, e esse destaque individual vira um movimento coletivo, porque as pessoas passam a desejar aquele mesmo brilho. De cima, aquilo virava um mar de brilho”
Allan Morais, gerente de projeto da Lukka
No Rock in Rio, dezenas de patrocinadoras disputam o mesmo campo de visão e o mesmo tempo de atenção do público, e essa disputa não se resolve só com estande grande ou naming em palco, porque ela passa também pelo que a pessoa carrega no corpo enquanto circula. Um item que se destaca no escuro sustenta a presença da marca sem depender de painel ou de ativação pontual, e coloca o próprio consumidor como suporte de mídia.
O alcance também não termina no portão. Um brinde com apelo forte circula nas redes antes do festival e alimenta a expectativa de quem ainda vai comprar ingresso, e segue em uso depois, quando o design ou a funcionalidade fazem a pessoa levar a peça para o dia a dia. Um item pensado só para cumprir função durante os shows perde boa parte do contato que poderia render com a marca.
A shoulder bag com LED mostra um movimento que vem ganhando força no brand experience, que é pegar uma tendência já validada organicamente pelo público jovem, no caso a jelly bag, e reinterpretá-la com um diferencial técnico proprietário. O que a marca leva para a Cidade do Rock funciona menos como item de merchandising na mochila do público e mais como símbolo de pertencimento, com potencial de circular espontaneamente nas redes. Para a Movida, o objetivo em 2026 é, de forma bem literal, iluminar a própria presença no festival.
O Promoview acompanha as experiências de marca do Rock in Rio 2026 e vai reconhecer as melhores ativações ao fim da cobertura.