categoria Comportamento
Data 17 de junho de 2026

A piscina do Mana Hotel não fica num canto. Ela atravessa o hotel inteiro, contorna o restaurante, se enfia pelos corredores e tem até um bar que se aproveita de dentro da água. É a primeira pista de que o hotel, aberto na Praia do Cumbuco a 50 minutos de Fortaleza, foi desenhado para uma coisa só: fazer o hóspede entrar e não querer mais sair.
A proposta é que o hóspede atravesse a portaria e não precise mais cruzá-la no sentido contrário até a hora de ir embora. Tudo o que sustenta os dias está dentro, e é nessa autossuficiência que mora a versão de slow luxury que o hotel persegue. O ritmo desacelera menos pela paisagem ao redor e mais pela ausência de motivo para procurá-la. O projeto nasceu das irmãs Luana, Amanda e Bianca Melo. “Crescemos dentro da hotelaria e sempre tivemos o desejo de criar algo que representasse a nossa identidade”, diz Luana.
O Mana é um hotel pé na areia
Divulgação
“O Mana nasce desse olhar singular de desenvolver um hotel contemporâneo, mas com uma hospitalidade muito próxima.” São 70 apartamentos divididos em cinco categorias, número pequeno o suficiente para manter a escala intimista mesmo quando o hotel está cheio, como estava durante a estadia, com a área da piscina movimentada ao longo do dia.

É na área externa que o desenho de Guilherme Torres se impõe. A piscina não é um corpo de água isolado. Ela percorre a área comum do hotel inteiro, contornando o restaurante e os demais espaços, com um bar que pode ser usado de dentro da água, e é interrompida apenas pelos corredores que organizam a circulação. O paisagismo de Alex Hanazaki completa a lógica com espelhos d’água ao redor das passagens, que refletem a arquitetura e o céu e fazem os caminhos parecerem margeados de água por todos os lados. Madeira, vegetação tropical e luzes baixas compõem um cenário que pediria pouca adaptação para receber um desfile. O pé na areia é literal: os ambientes abrem para a praia e parecem se dissolver nela.
O bar pode ser usado de dentro da piscina
Acervo Pessoal
O bem-estar é um dos eixos da estadia, e não um serviço acessório, o que coloca o Mana em sintonia com o que o quiet luxury passou a exigir. O Mana Spa concentra os rituais de relaxamento e funciona com agendamento prévio, o que vale programar logo na chegada. A academia segue a mesma gramática visual do hotel, com acabamento rústico, equipamentos novos e a natureza entrando pelas aberturas.
O menu é assinado pelo chef David Mansaud
Divulgação
O Cumbuco é um dos polos de kitesurf do país, e o vento que faz a fama da região está ali, à disposição de quem busca o esporte na praia. A gastronomia fica a cargo do chef francês David Mansaud, que trabalha ingredientes locais em chave contemporânea, guiado pela sazonalidade. O café da manhã traz clássicos de hotelaria como ovo benedict e croque madame, conforto reconhecível para começar o dia. Um rooftop abre em ocasiões específicas para jantares, o que amplia o repertório de quem fica os dias inteiros no hotel.
Área da piscina cobre boa parte do hotel
Acervo Pessoal
No fim, o Mana se inscreve em uma geração recente de destinos brasileiros que vendem menos a cama e mais o tempo. “O que mais queríamos era criar um lugar onde o tempo passasse de outro jeito”, conclui Luana. A frase resume a aposta. Em vez de servir de ponto de partida para o Ceará, o hotel quer ser o próprio destino.
Spa
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O repórter de cultura e lifestyle Thyago Furtado no Mana Hotel
Acervo Pessoal
Suíte do Mana Hotel conta com uma piscina na sacada
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Fachada do Mana Hotel
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Fonte: Vogue