Comportamento
17 de junho de 2026
Antes de cantar, Karinah já dançava. Era Clara Nunes na sala de casa, Morena de Angola no repeat de uma menina que ainda não sabia, mas estava ali plantando a primeira semente de um amor que viraria ofício. O samba chegou primeiro pela voz de uma mulher, e talvez por isso a cantora tenha decidido, quase duas décadas depois, devolver o gesto.
As Damas do Samba, seu novo projeto, reúne em disco e em shows homenagens a oito cantoras que sustentaram o gênero: Elza Soares, Beth Carvalho, Alcione, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra e a própria Clara Nunes. A estreia tem data e gesto certeiros. No dia 18 de junho, no Blue Note São Paulo, uma das homenageadas divide o palco com Karinah: Leci Brandão. “As grandes damas do samba são minha inspiração”, diz a cantora, por meio de nota. “Ter Leci Brandão dividindo o mesmo palco, nesse momento, é para mim uma verdadeira honra e bênção.”
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A companhia em cena tem nome e história. Karinah é acompanhada pela Banda da Madrinha, formada por músicos que tocaram com Beth Carvalho, sob direção musical de Carlinhos 7 Cordas. O repertório vai no que a plateia canta de cor: “Se Acaso Você Chegasse”, de Elza Soares, “Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço”, de Dona Ivone Lara, “Água de Chuva no Mar”, de Beth Carvalho, “Figa de Guiné”, de Alcione, e “Embala Eu / Marinheiro Só”, de Clementina de Jesus, entre outras. Em 3 de julho, o projeto desembarca no Blue Note Rio, com uma participação especial ainda em segredo.
Leci Brandão e Karinah
Divulgação/Marcos Hermes
O álbum fica para o segundo semestre e abre por onde tudo começou. A faixa de largada é “Você Passa Eu Acho Graça”, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial, que Clara Nunes gravou em 1968. O círculo, ali, se fecha.
Quem Karinah escolhe homenagear conta muito sobre quem ela é. Começou a cantar aos 13 anos, passou pela escola dos bares e das festas e foi parar no Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro disco, Você Merece Samba. Pelo caminho, juntou madrinhas e padrinhos de peso. Dona Ivone Lara lhe pediu que chegasse “com o coração no miudinho”. Zeca Pagodinho a apadrinhou e produziu Meu Samba, lançado em 2025, prometendo fazer por ela o que Beth Carvalho fez por ele. Alcione a chamou para abrir a turnê de cinquenta anos de carreira.
Aluna do maestro Letieres Leite, foi na Bahia que ela entendeu que sua voz serviria ao samba. De lá para cá, levou o gênero a palcos de fora, incluindo o Festival de Montreux. Na Mangueira, virou madrinha de projeto social e musa da escola, e é do verde e rosa que tira a medida do trabalho que agora finaliza, feito de referência, reverência e estudo, como ela mesma define. “Cantar para mim é missão. Cantar samba para mim é devoção”, resume. “E homenagear as mulheres que pavimentaram o chão que hoje eu piso com humildade é a minha paixão.”
Serviço
As Damas do Samba, com Karinah
Blue Note São Paulo, 18 de junho de 2026, com participação de Leci Brandão
Blue Note Rio, 3 de julho de 2026
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