categoria Comportamento
Data 20 de junho de 2026

Um estudo da Allied Market Research projeta que a indústria global de eventos vai movimentar US$ 2,5 trilhões até 2035. O número voltou a circular nas redes e entre profissionais de eventos, mas vale olhar com calma o que o relatório de fato traz, porque é o tipo de dado que serve de argumento para quem trabalha com experiência de marca.

Mais revelador que o tamanho é o que o estudo aponta como motor do crescimento. Não é a bilheteria, e sim o patrocínio. É a leitura que o mercado de brand experience já praticava, agora traduzida em projeção de trilhões.

O que o estudo mede, e em que escala

O levantamento se chama Events Industry Market: Global Opportunity Analysis and Industry Forecast, 2021–2035, tem 562 páginas e é assinado pela Allied Market Research. Publicado originalmente em 2024, com projeção até 2033, o relatório voltou a circular na comunidade internacional de eventos a partir de abril deste ano, agora com o horizonte estendido a 2035. Ele parte de um mercado de US$ 736,8 bilhões em 2021 e projeta US$ 2,5 trilhões em 2035, um crescimento de cerca de 3,4 vezes, a uma taxa média de 6,8% ao ano entre 2024 e 2035.

Vale a ressalva de método: é uma projeção de consultoria, com ano-base de análise em 2023, e não um número fechado do presente. O valor de hoje está em algum ponto entre 2021 e a meta de 2035.

O escopo, porém, é largo. O estudo abre a indústria por tipo de evento (shows, festivais, esportes, feiras e congressos, eventos corporativos), fonte de receita, organizador, faixa etária, localização e região. É essa segmentação que dá densidade ao número.

O motor é o patrocínio, não o ingresso

O ponto que mais interessa ao mercado de experiência está no recorte por fonte de receita. Entre venda de ingressos, alimentos e bebidas, publicidade, merchandising e licenciamento, foi o patrocínio que liderou a geração de receita do setor em 2023, segundo o relatório.

A Allied credita essa liderança ao papel do patrocínio como ferramenta de marketing: ele permite à marca alcançar público segmentado, construir reconhecimento e impulsionar vendas pela associação ao evento, com o incentivo extra das deduções fiscais sobre o investimento. Em outras palavras, o evento deixou de ser palco e virou canal de mídia por si só, no qual a marca não patrocina de fora, e sim ocupa o centro.

Eventos corporativos no comando, e o público entre 21 e 40

No recorte por tipo, os eventos corporativos e seminários são o maior e mais resiliente segmento, e devem manter a liderança até 2035. Convenções, lançamentos de produto e encontros de relacionamento deixaram de ser apoio e viraram peça central da estratégia de marca, função que o estudo descreve como indispensável ao negócio moderno.

Quem organiza também conta. O segmento de entretenimento lidera a operação de eventos, puxado por festivais e conferências internacionais de música, com forte aposta em redes sociais, experiências on-site e tecnologia imersiva. E quem comparece é, sobretudo, o público de 21 a 40 anos, a faixa que mais consome experiência, concentrada nas cidades Tier 1, embora o interior comece a despontar como nova fronteira.

Onde o Brasil aparece no estudo

O recorte regional traz o gancho brasileiro direto da fonte. A Europa lidera o mercado global e a Ásia-Pacífico é a que mais cresce, mas é na análise da LAMEA (América Latina, Oriente Médio e África) que o país ganha destaque: o relatório aponta o Brasil e a Argentina como líderes do mercado de eventos na América Latina, sustentados por renda em alta, cultura de entretenimento vibrante e gasto crescente das empresas com eventos.

O dado conversa com os números locais. O mercado de live marketing movimentou US$ 22,2 bilhões em 2025 no país, segundo o Anuário Brasileiro de Brand Experience, e o setor de eventos brasileiro vem batendo recorde de faturamento e de empregos, como o Promoview mostrou em 202 mil empregos, R$ 120 bilhões: o que os dados dizem sobre quem faz eventos. É o mesmo movimento que o portal já leu em outros setores, da indústria global do esporte aos sinais do próximo ciclo do brand experience.

Por que o número merece atenção

A leitura que sobra é direta, e é por isso que o dado vale como argumento. A experiência deixou de ser custo de marketing e virou ativo de negócio, e o que empurra a indústria de eventos rumo aos US$ 2,5 trilhões é exatamente o que o Promoview cobre ativação a ativação: a marca que entendeu o encontro presencial como mídia, e não como cenário de fundo.

O número, claro, é uma projeção, e como toda projeção de consultoria pede leitura crítica. A direção, no entanto, o próprio mercado já confirma a cada festival, convenção e ativação que troca a placa pela experiência.

Fonte: Promoview