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31 de agosto de 2026
Quem já foi às compras em busca de um vestido de noiva provavelmente conhece a cintura basca: uma silhueta que alonga visualmente da região da cintura até o quadril, onde a saia começa. Tendência nos anos 80, esse estilo teve Lady Di como uma das figuras que mais popularizou a peça naquela década, com seu corpete ajustado e saia ampla e volumosa.
Pincesa Diana com cintura basca nos anos 80
Getty Images
Essa tendência está de volta às passarelas, sendo uma das peças-chave entre as tendências de inverno 2026. A Chanel foi uma das grifes que adotou a cintura baixa (tão característica dos anos 20) em cores como o bordô. No desfile de despedida de Pieter Mulier na Alaïa, a marca incorpou a cintura basca em vestidos tomara que caia que adicionam volume à saia. Talvez a versão mais inspirada nos anos 80 possa ser encontrada na Jacquemus, com vestidos cuja parte superior parece simular um body de ginástica e a saia é composta por uma cascata de franjas assimétricas.
Chanel, Inverno 26
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Alaïa, Inverno 26
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Jacquemus, Inverno 26
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Também é possível encontrar nas passarelas outras abordagens que não enfatizam tanto a cintura: Ferragamo e Alainpaul propõem um torso liso ao qual se adiciona volume no quadril, muito em sintonia com o robe de style que Lanvin (entre outras marcas) popularizou na década de 1920. Já a Saint Laurent optou por um design em renda preta que incorpora um toque tridimensional no quadril.
Ferragamo, Inverno 26
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Alainpaul, Inverno 26
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Saint Laurent, Inverno 26
Getty Images
Na história da moda, o termo cintura basca é amplamente conhecido. Voltando no tempo, o que era chamado, em inglês, de basque correspondia a uma silhueta muito comum nos espartilhos do século XIX, que podia ser cortada e decorada de diversas maneiras. Especialmente popular na década de 1880, ela podia ser adaptada, por exemplo, a casacos mais compridos atrás do que na frente, imitando uma espécie de casaca masculina. Revistas femininas como a Peterson’s costumavam incluir instruções técnicas para confeccioná-lo em casa (“Um corpete ‘basque’ sempre veste melhor e tem menos probabilidade de esticar se for forrado”). A Vogue também fez frequentes referências a esse tipo de silhueta no final do século.
Esse tipo de corpete alongava visualmente o corte até o quadril, como mostra esta ilustração de 1880
Metropolitan Museum of Art, Nova York
Ilustração de 1880
Metropolitan Museum of Art, Nova York
Ilustração de 1880
Metropolitan Museum of Art
Ilustração de 1880
Metropolitan Museum of Art, Nova York
A nostalgia pelo passado não é nenhuma novidade, e os revivalismos daquela época também estavam em voga. Em uma coluna de 1880, a revista Godey’s mencionou, entre os casacos de estilo basco usados em casa, o casaquin, um tipo de jaqueta informal que se tornou moda no século XVIII. Também conhecido como caraco, era uma espécie de corpete estilizado usado sobre uma saia, com caudas que acentuavam a região dos quadris. Sim, muito semelhante aos casacos peplum que vemos hoje ou mesmo às jaquetas de couro com saias usadas pelas mulheres da realeza espanhola no século XVII. Ao observar looks como os das coleções de inverno 2026 da Alaïa, é fácil perceber os paralelos com os casacos e as saias volumosos do passado.
Alaïa, Inverno 26
Alaïa
Mulher com caraco em 1788
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Jaqueta de couro com saias do século XVII
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Casaco da segunda metade do século XVIII, do Museu Metropolitano de Nova York
Metropolitan Museum of Art, Nova York
Corpete de cintura basca do Metropolitan Museum of Art, de Nova York
Metropolitan Museum of Art, Nova York
A verdade é que a cintura basca nunca saiu de moda: os tailleurs Chanel da década de 1920 apresentavam essa silhueta que se estendia até o quadril, assim como na década de 1930. É um resultado visual semelhante da adição de uma espécie de peplum ao corte do paletó, como Dior fez com sua famosa Bar jacket (e que Jonathan Anderson reinterpretou em designs bem ajustados ao corpo). A minissaia e as botas de motociclista do look são os elementos de styling atuais que as diferenciam das criações da década de 1940 ou do século XIX. Seja nas versões contemporâneas ou as nostalgias, as chances são altas que esse clássico siga angariando fãs pelos próximos meses e até décadas.
Dior, Inverno 26
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Esta matéria foi originalmente publicada na Vogue Espanha com o título: Cintura vasca, la tendencia en vestidos de los 80 que arrasará este otoño 2026