Conexão
10 de setembro de 2026
Algo está mudando entre os moradores de Paris. Na última semana de alta-costura, em julho, fiquei hospedada próxima ao rio Sena e pude correr por suas margens no fim da tarde em alguns dias. Uma quantidade surpreendente de franceses fazia o mesmo, em um volume muito maior do que eu esperava. Curiosamente, sob um calor de 38 graus, as mulheres corriam de calça e top, em looks monocromáticos; os homens, de camiseta, passando por grupos de amigos que comiam queijos e tomavam cerveja ou vinho enquanto assistiam ao pôr do sol. Diante desse cenário, intuí que algo estava mudando na capital mundial da boemia, onde fumantes ainda se sentem acolhidos e conversas regadas a vinho ajudaram a compor parte da filosofia e do pensamento crítico contemporâneo.
No voo de volta para o Brasil, li uma matéria no Financial Times sobre o fato de as academias e estúdios de fitness se multiplicarem na cidade nos últimos anos. Prova disso é que o mercado francês de fitness já gira em torno de € 2,4 bilhões e é o terceiro maior da Europa, atrás de Alemanha e Reino Unido. E a corrida virou, de fato, um fenômeno na cidade. As competições na região de Paris cresceram 23% entre 2024 e 2025, e a Meia Maratona de Paris de 2026 vendeu suas 48 mil vagas em apenas um dia.
Mas como era de se esperar, o wellness francês não copia o modelo americano. Franceses não acordam necessariamente às 5h, treinam pesado e passam o dia falando de performance. Nada menos francês do que isso. A palavra-chave é equilíbrio: fazer exercício e depois tomar um vinho natural, comer bem, com ingredientes orgânicos e vegetais da estação em um restaurante excelente. A estética também importa muito. Em Paris, as academias e spas precisam ser bonitos, sofisticados e agradáveis. A seguir, alguns dos melhores endereços para aproveitar uma passagem pela Cidade Luz para cuidar — também — do corpo.
Mais sobre Paris
Dior Spa Cheval Blanc
Principal dica para quem quer cuidar da pele e do corpo, o Dior Spa do Cheval Blanc Paris é possivelmente a versão mais sofisticada dessa nova cultura de bem-estar. O hotel fica diante da Pont Neuf, às margens do Sena, e oferece uma perspectiva privilegiada de Paris, um raro ponto de onde se vê tanto a Torre Eiffel como a Catedral de Notre Damme. Vale combinar a visita ao spa com um brunch no Le Tout-Paris, no sétimo andar do hotel, com seu terraço panorâmico sobre a cidade e petiscos delicados.
O Dior Spa Cheval Blanc foi projetado por Peter Marino como uma espécie de apartamento parisiense inteiramente imerso no universo Dior. Madeiras, pedras naturais, obras e objetos ligados à história da Maison criam um ambiente mais próximo de uma residência extremamente sofisticada do que de um spa convencional. Na Galerie Dior, a rosa — flor especialmente ligada à história de Christian Dior — aparece como um dos fios condutores; no Salon, lareira, poltronas, livros e porcelanas prolongam a sensação de estar em uma casa privada.
Dior Spa Cheval Blanc
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Os tratamentos acontecem em apenas seis suítes — Bonheur, New Look, Bonne Étoile, Sauvage, Mitzah e Granville —, cada uma inspirada em uma faceta diferente da Maison e equipada com banheiro privativo. A experiência vai além dos protocolos de beleza tradicionais e incorpora uma abordagem mais ampla de bem-estar, como o Massage Holistique, criado pelo especialista em energia Guillaume Valmage, que combina movimentos inspirados em diferentes tradições de wellness com uma proposta de reconexão entre corpo e mente.
Dior Spa Cheval Blanc
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Eu testei uma massagem facial ultra relaxante, feita com a linha Prestige da Maison, que além de um cheiro único, tem peso e uma capacidade de hidratação e regeneração dos tecidos que não encontro em nenhuma outra marca de cosméticos para o rosto.
Dior Spa Cheval Blanc
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Sant Roch
Se o Dior Spa representa a face mais luxuosa do movimento, o Sant Roch traduz uma de suas tendências mais contemporâneas: a contrast therapy. No 1º arrondissement, o espaço gira em torno da alternância entre saunas que chegam a 90°C e banhos frios mantidos entre 5°C e 10°C. Mas a ideia não é apenas recuperar o corpo. Inspirado na tradição dos banhos coletivos, o Sant Roch se apresenta como um lugar de encontro e reconexão — consigo mesmo e com os outros. Dependendo da sessão, a experiência é livre ou inclui rituais guiados. E há uma regra particularmente interessante em 2026: celulares ficam nos armários.
La Montgolfière
Talvez nenhum endereço sintetize tão bem a transformação da academia em espaço social quanto a La Montgolfière. Definida pelos próprios criadores como um “Social Sports Club”, ela mistura musculação, cardio, boxe, yoga e Pilates com sauna, hammam, restaurante, café, eventos e espaços de trabalho. A unidade Lamarck, no 18º arrondissement, tem cinco andares, um café-restaurante com uma engenharia de áudio digna de um listening bar e uma área para que os clientes possam trabalhar. É possível chegar para treinar pela manhã e, sem realmente sair do clube, trabalhar, almoçar e terminar o dia ouvindo música ou encontrando amigos.
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