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Data 01 de setembro de 2026

Poucas combinações são tão memoráveis para as fashionistas quanto o trio Sarah Jessica Parker, a cidade de Nova York e sapatos. O relacionamento da eterna Carrie Bradshaw com calçados veio antes mesmo da icônica personagem. “Minha mãe tinha um olhar notável e nos ensinou que o estilo tem pouco a ver com dinheiro e tudo a ver com curiosidade, cuidado e imaginação. Acho que foi aí que começou meu carinho por sapatos. Eles pareciam transformadores para mim, mesmo quando criança”, diz.
Sarah Jessica Parker posa para a Arezzo
Luiza Ferraz
De lá para cá, foram muitas cenas, fotos e até uma marca do nicho para chamar de sua, que encerrou as operações em 2024. Agora, ela mostra seu lado shoeholic na campanha “Obcecadas por sapatos. Em cada cena”, da Arezzo. A marca foi até Nova York para clicar a musa. A seguir, você confere nosso bate-papo com SJP.
Você é um ícone dos anos 1990, tanto como atriz quanto como personagem. O que você sente falta daquela época?
Sinto falta da sensação de descoberta. Nova York parecia infinitamente surpreendente e cheia de possibilidades. As pessoas estavam vivendo suas vidas em vez de fazer uma curadoria. A televisão e a moda estavam mudando e não sabíamos onde tudo aquilo ia dar. Havia uma inocência naquela incerteza da qual me lembro com muito carinho.
O que você aprendeu sobre estilo naquela época que ainda carrega até hoje?
Que estilo é muito mais pessoal do que ligado à moda. Tendências vêm e vão, mas as pessoas mais memoráveis se vestem de um jeito que reflete quem elas são. Sempre acreditei que a roupa pode ser expressiva e alegre. A confiança não vem de usar a coisa certa, mas de usar algo que seja verdadeiro para você.
Sarah Jessica Parker
Luiza Ferraz
Muitas mulheres jovens, na casa dos 20 e 30 anos, estão descobrindo você e seu estilo agora. Como você se sente sabendo que é uma referência para elas, e que conselho daria?
É um elogio enorme, especialmente porque cada geração desenvolve sua própria relação com a moda. O interessante é que as mulheres mais jovens não estão simplesmente recriando looks do passado, elas estão interpretando com o próprio olhar, exatamente como o estilo deveria ser. Não gosto muito de dar conselhos, mas, se tivesse que dar um, seria: confie no seu olhar. As pessoas mais estilosas que já conheci são curiosas, observadoras e dispostas a arriscar. A moda deveria ser fonte de prazer, não de pressão. Use o que te faz sentir mais você mesma e deixe seu estilo evoluir tão naturalmente quanto você.
Você sempre foi apaixonada por sapatos, ou a predileção se desenvolveu com o tempo e a sua carreira de atriz?
Sempre amei sapatos. Algumas das minhas primeiras memórias de moda estão, na verdade, ligadas a ir comprar sapatos com a minha mãe. Éramos uma família grande e o dinheiro era muitas vezes apertado, então comprar sapatos não era algo que acontecia todo fim de semana. Me lembro de que essas idas pareciam incrivelmente importantes: você pensava com cuidado sobre o que escolhia, porque ia conviver com aqueles sapatos por um bom tempo. Minha mãe tinha um olhar notável e nos ensinou que estilo tem pouco a ver com dinheiro e tudo a ver com curiosidade, cuidado e imaginação. Acho que foi aí que começou meu carinho por sapatos. Eles pareciam transformadores para mim, mesmo quando criança. Muito antes de atuar, eu já entendia que um par de sapatos pode mudar a forma como você se porta. Minha carreira certamente ampliou essa relação, mas o romance começou bem antes.
Qual par de sapatos mudou sua vida ou carrega uma história incomum ou engraçada?
Tenho um carinho verdadeiro pelos sapatos que usei no dia do meu casamento. Não eram saltos altíssimos nem nada particularmente teatral. Usei sapatos de veludo azul-petróleo com bico arredondado e salto clássico. Eram pessoais, práticos e discretamente especiais, que é geralmente o que mais amo em um sapato.
O que você pensa sobre a “ugly shoe theory”, que diz que um sapato feio ou inesperado é sempre uma jogada certeira de styling?
“Feio” muitas vezes é só outra palavra para “inesperado”. A moda pode se tornar um pouco previsível, e um sapato não convencional traz tensão e personalidade. Dito isso, não acho que um sapato funcione por ser feio. Acho que funciona por ser interessante. Se ele adiciona caráter, confiança ou senso de humor a um look, então está cumprindo seu papel.
Você, Nova York, sapatos — já vimos esse filme antes! Como foi gravar para uma marca brasileira em uma cidade tão ligada à sua história?
Foi maravilhoso. Nova York é uma parte tão importante da minha vida, tanto pessoal quanto profissionalmente, e os sapatos têm sido um personagem recorrente nessa história. Colaborar com uma marca brasileira que eu amo, em uma cidade que significa tanto para mim, pareceu uma celebração da criatividade.

Fonte: Vogue